segunda-feira, 23 de abril de 2018

Ecos da Primeira Comunhão



Shizuo Kambayashi/Associated Press

[Coisas do quotidiano de um padre num Colégio] 
- P. Paulo, gostei muito da Primeira Comunhão. Estou feliz. Já posso receber Jesus mais vezes. Ele é muito saboroso.

E lá dei uma gargalhada.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Agora Nós - RTP



[Coisas na vida de um padre] Ainda não consigo escrever com consistência sobre o lançamento de “Deus como tu”, de emocionante que foi. As palavras da Sónia ainda me ecoam forte. Ter lá tantas pessoas queridas fez-me sentir praticamente o mesmo vivido nas ordenações de diácono e de padre. É tempo de digerir. Sinto-me muito agradecido, isso, sim. Entretanto, partilho o link da entrevista no Agora Nós, a partir dos 36 minutos e 45 segundo. Mais uma vez, agradeço toda a simpatia de Tânia Ribas de Oliveira e José Pedro Vasconcelos, em conjunto com toda a produção. Também agradeço a compreensão de todos os que passam por aqui. Sabendo que não é o centro da minha vida, “Deus como tu” é-me muito importante. Para quem foi perguntando, com a Matéria Prima estamos a agendar a apresentação mais para norte. Assim que tenha, darei mais informações.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A Tarde é Sua - TVI




[Coisas na vida de um padre] Partilho o link com a entrevista por Fátima Lopes, no programa "A Tarde é Sua" - TVI, a partir do minuto 28. Agradeço muito a simpatia da produção e da própria Fátima. Uma curiosidade: na assistência estava uma senhora que trabalhava na biblioteca da Faculdade de Motricidade Humana que me reconheceu. Demos um bom abraço.

Nas livrarias


[Secção “Deus como Tu”] Fico com grande sorriso ao ver “Deus como Tu” tão bem acompanhado, neste dia de estreia nas livrarias.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Convite



[Secção “Deus como Tu”] É com muito gosto que, em conjunto com a Matéria-Prima Edições, partilho o anúncio do lançamento de “Deus como Tu”. Será no Cupav - Centro Universitário, no dia 19 de Abril, às 18h30. A apresentação estará a cargo de Sónia Morais Santos.

domingo, 15 de abril de 2018

Tanta Paz é precisa



[Secção desabafos] As únicas explosões que gostaria de ver são as das cores de Primavera. Tudo o resto será a ganância de uns diante da fraqueza de outros. Tanta Paz é precisa.

sábado, 14 de abril de 2018

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Juventude



[Breve pensamento na última noite em que 40 alunos dormem aqui no Colégio depois de uma semana cá a viver]

quarta-feira, 11 de abril de 2018

"Deus como tu"




[Secção “Deus como tu”] Começo por agradecer todas as manifestações de carinho pelo “Deus como tu”. Estará a partir de dia 18 de Abril nas livrarias por todo o país. O lançamento será no dia 19 de Abril, pelas 18h30 no Centro Universitário Padre António Vieira (CUPAV), em Lisboa. A apresentação será feita por Sónia Morais Santos (Cocó na Fralda). Agradeço muito à Sónia pela disponibilidade em aceitar, nas suas palavras, “este desafio”. Isto é tudo muito emocionante... também com a maravilhosa ajuda da Liliana Valpaços e da Sílvia Baptista da Matéria-Prima Edições.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Nascer de novo



[Breve apontamento antes de adormecer na Semana em que cerca de 40 alunos vivem o Colégio de maneira diferente]

domingo, 8 de abril de 2018

Ver para crer




Jonathan Jallet

[Secção pensamentos soltos em II domingo de Páscoa] Este é o Domingo do famoso “ver para crer” de S. Tomé. Visto na superficialidade, parece que Tomé pede o inadmissível. Para nós, com visão de dois milénios de ressurreição garantida, o pedido aparentemente já não tem sentido. Mas, quantas vezes não acreditamos no que nos dizem? A incredulidade de Tomé segue-se a acontecimentos de grande brutalidade. A cruz não foi apenas um momento menos simpático. A cruz foi o derrubar da crença em alguém que prometeu a salvação, a mudança da relação com Deus, a transformação da humanidade. Quantos políticos não nos prometem “mundos e fundos” e, já tendo o poder, acabam por não cumprir? Seria Jesus mais um charlatão? Jesus não é um político. Jesus é o humano pleno, com a vida orientada para o justo encontro com o Deus da Vida. Também por isso, a cruz é resultado desse anular da mentira política e religiosa, e de forma bruta. “Ver para crer”. Jesus aparece diante dos discípulos medrosos e afirma a Paz. A ressurreição traz justiça e Paz. Não no etéreo, mas com as marcas da cruz. Tomé, então, representa aqueles que desejam profundamente acreditar em Deus que nunca engana. Apesar da brutalidade dos sofrimentos, a Paz do Senhor ressuscitado garante o sentido de todas as coisas. Ou seja, a experiência da fé, nessa busca que pode implicar dúvida, conduz à paz. Quando se encontra a paz, toca-se o lado do Senhor e percebe-se que a humanidade transforma-se mais um pouco em Vida divina. 

sexta-feira, 6 de abril de 2018

"Deus como tu", o livro



[Secção boas notícias em oitava de Páscoa] Cheguei e fiquei a olhar por uns minutos. Aos poucos, comecei a folhear e a sentir o papel com palavras que me dizem tanto. A sensação é estranha. Olho para o livro nascido em Páscoa e vejo pessoas, acontecimentos, conversas, orações, dúvidas e certezas, tudo vivido no caminho até este momento em que o toco. Está quase a deixar de ser de mim, para passar a ser também de quem o ler. “Deus como tu”. É a minha crença em Deus que não se cansa de se aproximar da humanidade. Que alegria!

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Martin Luther King e Cristiano Ronaldo




Massimo Pinca/Reuters

[Secção pensamentos soltos a partir de Martin Luther King,jr e Cristiano Ronaldo] Faz 50 anos que Martin Luther King foi assassinado. Cristiano Ronaldo marcou ontem, bastante noticiado hoje, um grande, senão o melhor golo da sua carreira. Este dois acontecimentos, à distância de 50 anos, são de registo. Alguém que lutou pela paz, promovendo o fim do racismo, mostrando a igualdade na dignidade humana, que vai para além de qualquer cor, foi assassinado pelas suas convicções. É conhecido o seu “I have a dream”, repetido com veemência no famoso discurso na Marcha para Washington, apelando ao fim da escravidão racial, com muitos pontos de não-violência. Como Cristão, sabia bem o que era dar a outra face, não em masoquismo sem-sentido, mas em nova perspectiva. Combater o mal com o mal, apenas acrescenta mal e nada se resolve. Sendo o mais fácil, é o mais destrutivo. A vida de MLK é atravessada por desafios, em medo e angústia, em conjunto com a certeza de que é possível humanizar pela paz. Morreu assassinado. Mas, a sua marca, apelando ao fim do racismo que infelizmente ainda assola a humanidade em tantos cantos do mundo, continua a fazer eco até que o sonho de que alguém seja apenas julgado pelo carácter e não por qualquer característica física se torne totalmente realidade. E ontem, graças ao extraordinário golo, todo um estádio levantou-se a aplaudir Cristiano Ronaldo. Eu que não ligo a futebol, vi por mero acaso em directo todo o passe que levou ao golo. Mesmo percebendo muito pouco deste desporto, constato facilmente que não foi somente sorte. Resulta de trabalho pessoal, até chegar àquele momento. Dá-se o golo e deixa de haver adversários, para haver admiradores de futebol, quebrando-se assim barreiras. Por breves segundos, realizou-se o sonho de unidade. Ronaldo agradeceu o gesto. Dá-se exemplo de humanidade que consegue conviver para além de qualquer divisão. Tudo é demasiado simbólico, certo. Contudo, que o sonho de humanização, de paz, de não-violência, possa passar de breves segundos para todo o tempo e todos nos possamos aplaudir mutuamente.

Bons encontros



[Coisas na vida de um padre] São sempre de agradecer os bons encontros com céu de fundo e mar de frente, onde, inevitavelmente, falamos de recordações.

terça-feira, 3 de abril de 2018

O meu primeiro livro



Marta José/ Dreamaker

[Secção boas notícias em oitava de Páscoa] Foi hoje para a gráfica o meu primeiro livro. Filhos, espirituais entenda-se, tenho muitos. Plantei uma oliveira na transição de ano. Então, depois da renitência inicial e quase dois anos de boas conversas com a Liliana e a Sílvia, da Matéria-Prima Edições, surge o livro. Estou muito agradecido a cada uma, pelo seu cuidado, atenção, dedicação. Em breve darei mais notícias. Isto é mais emocionante do que eu poderia imaginar. A sensação é estranha. Muito boa, mas estranha.

domingo, 1 de abril de 2018

Luz de Páscoa



Mehmet Aslan

[Secção pensamentos soltos em dia de Páscoa] Em suave amanhecer, é como vejo a Páscoa. Que se cante alegre e efusivamente “Aleluia” e “Ressuscitou”. Assim é, depois desse caminho quaresmal que convida à conversão. Mas gosto de pensar, e rezar, a Passagem com a suavidade de quem vai integrando a beleza do mistério na sua vida. Os discípulos, onde se incluíam mulheres, não viveram esse momento com total segurança. Agitou-lhes o medo, a confusão, muitas perguntas. Sentir e viver a certeza da Vida daquele que viram a ser crucificado não pode ser encarado como novo-riquismo de fé, esfuziante. É gradual, onde a sombra de Sexta-feira Santa vai sendo iluminada com a presença do Ressuscitado revelada primeiramente por uma ausência: o túmulo está vazio. S. João fala-nos mesmo do nada ver que tudo vê. E quantas vezes dá-se a sensação de plenitude, em que se torna clarividente algo obscuro na nossa vida, revelando-se novo caminho em experiência de contemplação? A Páscoa tem a sua dose de estética, em revelação de contemplação, de sombras que se vão dissipando na experiência luminosa de novo ver. Ou de nova criação. Faça-se luz, ouve-se no primeiro momento da criação. A luz torna-se ela mesma fonte de vida. Mas é gradual. A fé, deixando-se iluminar por essa luz suave, tem de atravessar as sombras da vida, apesar do medo e da vergonha. A experiência da Páscoa é deixar que a fé seja atravessada pela luz. 

Santa Páscoa a cada uma(a), em suave amanhecer. Nestes dias especiais, continuarei a rezar com o abecedário. 


Amanhecer de Páscoa




[Secção outros tons especial amanhecer de Páscoa]

sábado, 31 de março de 2018

Vive-se Passagem



[Secção outros tons especial noite da Vigília] Junta-se a esperança à fé. Aquecem-se em lume novo, anunciador da Vida que arrebata todas as trevas. Vive-se Passagem.

Pés doridos de caminho



[Secção outros tons especial Sábado Santo] Pesa-me a cabeça sobre os ombros. Afastei a cara, incrédulo, quando estavas erguido como sinal. Entre culpa e desilusão, não sei dar nome ao que realmente sinto. Em ti depositei todas as esperanças, pelas vezes que me fizeste acreditar mais em mim, pelas vezes que me fizeste acreditar na humanidade, apesar de todas as injustiças. Conseguias ver longe, muito longe, sobre cada pessoa. Nos pés doridos de caminho, atravessa-me a recordação da delicadeza das tuas mãos enquanto neles caía a água. 

sexta-feira, 30 de março de 2018

Chegou a hora



[Secção outros tons especial Sexta-feira da Semana Santa] Gritos. De bestial a besta a eliminar. Escorrem lágrimas de dores silenciadas pelo desespero. É tomada a última liberdade: a vida. Chegou a hora.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Faça-se!




[Secção outros tons especial Quinta-feira da Semana Santa] A luz vai-se apagando e dá lugar ao silêncio. A história re-contou-se em nova liberdade anunciada. Os pés foram lavados. Os salmos cantados. O pão ázimo comido. O vinho da bênção bebido. O cordeiro está pronto. São as oliveiras, em recordação da paz, que acompanham a angústia do cálice a beber. “Faça-se!” Em tempos longínquos, fez luz. Agora, repetindo o dia do Anúncio, faz a vontade. 

quarta-feira, 28 de março de 2018

Trinta moedas



[Secção outros tons especial Quarta-feira da Semana Santa] Trinta moedas escrevem o destino de traição em pão molhado. Minuto-a-minuto, todas as capas sairão até que o véu se rasgue na totalidade, completando a Passagem.

terça-feira, 27 de março de 2018

Da solidão à esperança da existência



João Ferrand

[Secção reflexão para Semana Santa] Escrevi "Da Solidão à esperança da existência" há tempos e foi publicado no início do www.pontosj.pt. Trago-o até aqui. Parece-me adequado para esta Semana.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Nardo puro e a hora



[Secção outros tons especial Segunda-feira da Semana Santa] O nardo puro faz estremecer a hora que chega. Os amigos encontram-se e recordam que Deus cria a Luz. Também sabem que a liberdade exige a travessia da sombra da injustiça. Há aromas sem comércio, nem troca. O amor foi, é e será sempre gratuito. 

domingo, 25 de março de 2018

Silêncios de Jesus



Zachary Law

[Secção pensamentos soltos em Domingo de Ramos] Os silêncios de Jesus ao longo do relato da Paixão chamaram-me a atenção. Jesus não quer que ninguém tenha pena d’Ele. Jesus não necessita de se justificar. Jesus não entra no jogo do diz-que-disse. Quando se quer que se tenha pena de si próprio, fala-se muito, gritando-se mesmo, em ferida: “Estou aqui, vejam-me, cuidem-me, dêem-me atenção!” Jesus, na dignidade que o caracteriza, encontra a serenidade do silêncio. Quem realmente o conhece, não pode condenar nenhuma das Suas obras. São os seus gestos e palavras de acolhimento, por um lado, e de denúncia de injustiça por outro, de toda sua vida que justificam o ser quem é. A divindade não é etérea, é encarnada no Bem da e pela Humanidade. As poucas palavras e os muitos silêncios que encontramos na Paixão convidam-nos à simplicidade, evitando o ruído das outras muitas palavras mal gastas em condenações injustas. Entramos em Semana Santa… que convida ao silêncio e à reflexão: que ruídos meus tenho de enfrentar, deixando a necessidade de me justificar, tornando os meus gestos e vida mais autênticos?


quarta-feira, 21 de março de 2018

Em dia da Poesia



[Secção outros tons em dia da Poesia e início da Primavera] Silêncio: deixe-se iluminar a vida pela palavra com Corpo.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Dia de S. José e do pai



Alexandros Avramidis/Reuters

[Secção pensamentos soltos em dia de S. José e dia do pai] José vive durante a noite a sua Anunciação. Aquele sonho transmitiu luz na grande confusão da vida do homem de que não se conhece a voz. As suas palavras omitidas em texto bíblicos são repletas de gestos, em atitude de confiança e acolhimento do mistério da criança que será portadora de mudança na humanidade. Ser pai tem esse lado de mistério. Tudo muda. Tudo, mas tudo, muda. Mais do que ter um filho ou uma filha, transforma-se a essência: torna-se pai. Em mudez de palavras, sem viver o lado interno da gestação de alguém, simbolicamente é a força da protecção. A noite ganha laivos de dia no acompanhar do crescimento do novo ser. Também na maternidade. Isto de não haver na humanidade blocos ou de cor ou de branco ou preto, faz-me pensar nas milhares de mulheres que tiveram também de ser pai. Ou nos pais que tiveram também de ser mãe. Cada um de nós é fruto da relação, seja qual for. No entanto, felizmente, não é imutável em caso de tristeza ou de desilusão sobre a figura paterna. Aprende-se muito com a presença e há que agradecer, e muito, os “melhores pais do mundo”. Igualmente se aprende, mesmo que com inevitável dureza, com a ausência, sobretudo quando esses pais são o invés da segurança depositada ou esperada. Seja como for, se cada um de nós aqui está e é, tal deve-se aos progenitores que, com mais ou menos amor, nos deram existência. Para quem este dia é de alegria e reconhecimento pelo pai que tem, é de agradecer. Para quem este dia possa trazer recordações mais tristes, também é de  agradecer, por exemplo, a possibilidade de não dar continuidade à tristeza, à dor, mas à certeza de que o amor de Deus Pai (e dos padrinhos, igualmente reveladores de paternidade) nunca abandona. A Anunciação a José deu-se à noite, recebendo luz que lhe permitiu, apesar de toda a confusão de sentimentos, ir-se abrindo ao mistério de amar em paternidade.

domingo, 18 de março de 2018

Em acção pela dignidade



Leo Correa/AP


[Secção desabafos] Assassinar alguém pelas suas ideias é acto de grande cobardia. A força da vítima ofusca a fraqueza de mente do assassino. Diante de vil acto, não interessa qualquer cor política ou religião. A humanidade morre mais um pouco pelo assassínio e pela cegueira do poder. Ressurge o sentido de martírio, em testemunho de sangue que fortalece o desejo de justiça pela dignidade humana. Não adianta responder com violência. A melhor resposta é a de que cada um se torne construtor de paz, no respeito que vai para além de cor, credo, sexo e sexualidade. Isso é exercício diário e quotidiano.

sábado, 17 de março de 2018

Fátima



[Secção pensamentos soltos] Fátima, no seu silêncio e burburinho, traz-me sempre vontade de encontro: em cada canto há marca de milhares de pessoas que ali passaram em busca de liberdade. Lia há dias que a humanidade rodeia-se de ficção. Incluíam a fé. As vidas humanas não são ficção, o sofrimento também não. Apesar das necessárias perguntas para não entrarmos em cegueira religiosa, há locais que, pela marca de tantas histórias, recordam a realidade da fé. Mesmo na mistura de silêncio e burburinho.

sexta-feira, 16 de março de 2018

quinta-feira, 15 de março de 2018

Momentos




Francisca Dias


[Coisas na vida de um padre] Recebo o registo de um momento hilariante de pendura-costura-corta-prende no bonito projeto Tecer Afectos, juntando poesia e muitas mãos a tricotar histórias. Haja animação!

segunda-feira, 12 de março de 2018

Semana Inaciana 2018




[Coisas na vida de um padre] E eis que estamos na Semana Inaciana. Tanto a acontecer. Aqui, os alunos em momento coreográfico na abertura. Toda uma animação.

terça-feira, 6 de março de 2018

Aviões e Jesus




[Coisas na vida de um padre] Já está no meu gabinete mais um incentivo para a Jesuit Airlines. Jesus caminhou sobre as águas. Obviamente que também caminha sobre os aviões. Que ideias animadas! Haja aviões e haja Jesus! Obrigado, A e T.

Ecos da oração



[Ecos de oração, em tempo de Quaresma]

segunda-feira, 5 de março de 2018

Para além do humano



Fotograma de “Men against fire”

[Aula com alunos de 12.º ano] Há umas semanas dei-lhes a ler o artigo “Para além do humano”, da National Geographic de Abril de 2017. O artigo aborda sobretudo a evolução científica em biotecnologia, como, por exemplo, as pessoas com implantes que ajudam a ver ou ouvir melhor. Também alerta para os perigos… nomeadamente militares. A realidade do famoso filme Robocop já esteve mais distante. A propósito disto:
- PPP [como me chamam, sigla para professor padre Paulo], será que não podíamos ver um episódio do Black Mirror?
- Francisca, é a série que me falaste logo após a aula do artigo, não é?
- Sim, sim. 
- E isso é de se ver numa aula? [Risos matreiros!] Hmm, é demasiado violento? Tem sexo? [Gargalhada deles.]
- Ah, uma ou outra parte mais…
- Hmm, uuuu ahhh, não quero que digam que se anda a ver destas coisas numa aula de Religião e Moral!! [Mais risos]
- Bem, como confio em vocês, vamos ver.

E ainda bem que vimos. O episódio que escolheram, “Men against fire”, está muito bom para se falar da liberdade, da selecção que se faz de pessoas, até mesmo do religioso, de como podemos ser altamente influenciados, mesmo que não tenhamos ainda implantes implantes cerebrais, de como isto já aconteceu e acontece em muitas sociedades. Uma forma refinada de busca de arianismo. Aproveitei e falei-lhes do “determinismo” facebooquiano e das redes sociais. Para podermos caminhar para a liberdade, temos de conhecer, aprender, ler, educar o pensamento e a emoção, dialogar, para abrir os horizontes. Como somos influenciáveis, quem apanha uma sociedade desprevenida e ignorante consegue “implantar” desumanização e confusão. A ignorância é uma grande inimiga da humanidade.

domingo, 4 de março de 2018

Travessias




Fotograma do filme Dez Mandamentos.


[Secção pensamentos soltos] Sempre que paro no livro do Êxodo, nomeadamente na passagem dos Mandamentos divinos, recordo o épico filme de 1956, dirigido por Cecil B. DeMille. Nalgumas tardes, sozinho em casa, deixava correr a VHS do filme, com risquinhas de gasta. As quatro horas de filme preenchiam-me as medidas. As imagens que ainda tenho do resgate de Moisés no rio, do encontro na Sarça Ardente, do confronto com o Faraó e as muitas pragas, do Povo a ser liberto, da famosa travessia pelo Mar Vermelho enxuto, do dedo divino a escrever nas tábuas as orientações de liberdade surgem-me a partir das do filme. Nem sonhava que mais tarde iria estudar a riqueza teológica destas passagens. Os mandamentos são pensados a partir da liberdade. Há muitas coisas que oprimem, que impedem a liberdade, às quais damos mais destaque e peso do que imaginamos. A liberdade implica travessias. Não é um automatismo. Atravessar feridas da história, medos e animosidades nas relações familiares e profissionais é um processo de libertação a ser vivido com muita verdade consigo próprio. O mais fácil é criarmos deuses que abafam esse caminho de autenticidade: o deus Agora-Não, o Agora-Não-Tenho-Tempo, o Ah-Isso-Não-É-Comigo, o Isso-É-Coisa-de-Fracos. Depois, há ainda os deuses dourados: a deusa Comparação, o deus Falta-de-Agradecimento, o deus Poder, o deus Dinheiro. Mais do que a grandiosidade da travessia do Mar Vermelho, há que abrir os braços e viver aa Travessia da nossa Vida, também em momentos de deserto, para encontrar a liberdade.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Breve oração



Noel Y. C.

[Breve oração antes de adormecer] 

Agradeço-Te o Inverno. Recorda-me a necessidade de recolhimento e pousio, na escuta da terra que recupera forças em cada gota de chuva, preparando-se para as sementes de vida nova.

Peço-Te: ajuda-me a não esquecer a terra que sou na Terra que somos.


quinta-feira, 1 de março de 2018

Diálogo e esperança



[Secção pensamentos soltos] Voltei ao passeio em silêncio. A conferência de hoje foi desafiante: a importância do diálogo. Tanta falta faz na actualidade, entre gritos de imposição e de certezas. Afinal, no diálogo há que estar disposto a mudar de perspectiva. Ao passar pelo mesmo lugar de ontem, reparando na força do verde escondido pelo manto branco, pensei nas mudanças, nas necessárias conversões a viver para perceber que o que faço de bem ou de mal tem efeitos extensivos à humanidade. Sendo cada um de nós humanidade toda, os gestos têm densidade criativa do melhor ou do pior. As imagens que chocam podem ser castradoras, sobretudo pelo efeito anestésico de banalização ou de impotência, levando ao desânimo. Para que não o sejam, mais do que replicar, neste momento o melhor que posso fazer é tornar os meus gestos, as minhas palavras, o meu coração, em Bem comigo mesmo e, em consequência, com o próximo. Não podendo acabar com os conflitos lá longe, faço o que me é possível para acabar com os de perto. Dando vida ao próximo, dá-se um pouco de vida e esperança a toda a humanidade.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Reconciliação e Paz



[Secção pensamentos soltos] Enquanto passeava pelo esplêndido manto branco, sentia a força do silêncio e paz que a neve traz. Poucas vezes senti este silêncio. Entretanto, recebi uma mensagem. Algo de quotidiano. Para tirar uma dúvida, fui ao google. Recebo as notícias de mais mortos lá longe. O imenso contraste entre imagens de violência, destruição e sangue, com a visão de alvura diante de mim. Que fazemos nós? Que faço eu? Na conferência, pouco tempo antes, tinha ouvido como Jesus se entrega também por aquele que ninguém quer saber. Se nos dermos seriamente conta, cada um de nós é humanidade toda, (mesmo quem não gostamos!). Por isso, não é lá longe que morrem. Somos nós que morremos como humanidade enquanto houver conflitos. “Que posso fazer?”, pensei. Comecei a agradecer, em jeito de lista, pessoas e coisas, possibilidades e dons. Depois, pedi ânimo a Deus para continuar a trabalhar no caminho da reconciliação e da paz.

Silêncio de neve



[Coisas na vida de um padre] Quando os dedos ainda são suficientes para contar as vezes que vi neve, então ainda vivo esta beleza com muita emoção... e silêncio.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Boas recordações



Miguel Costa - MC Studio

[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de dias felizes.


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Breve oração



Dominic Rubin

[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te por ir dormir sem medo da possibilidade de não ter amanhecer. 

Peço-Te: ajuda-me a respeitar sempre quem vive na incerteza de um novo amanhã e a fazer o que me é permitido na dádiva de esperança.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Vestes




[Secção outros tons - especial II domingo da Quaresma]

As vestes
no silêncio das perguntas 

iluminam-se de ti

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Experiência do deserto




[Em oração de Quaresma e ecos preparatórios da homilia de amanhã]

Desabafo em Oração




William Leung

[Secção desabafos em oração]

Peço-Te, na impossibilidade de combater o mal lá longe, diante da dor de tantas imagens de morte e trabalho forçado, em especial de tantas crianças impedidas de esperança, ajuda-me a enfrentar o mal em mim. E, assim, continuar a rasgar o coração, permitindo-me converter e ser cada vez mais um dador de Paz.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Chuva, simplesmente chuva



[Secção pensamentos soltos] O dia não amanheceu assim. Filmei há muitos dias, enquanto contemplava a dança das gotas ao som da chuva. Que dia bonito seria se a chuva escrevesse poesia nas janelas. O sol, em dia de chuva, não desaparece, apenas dá espaço e tempo à outra força da Terra, tão necessária para que os dias sejam realmente bonitos, sem ânsia, nem guerra, por água. As barragens estão, em pleno mês de Fevereiro, a 56% do seu limite. E não foi há muito tempo que houve racionamento de água em zonas de Portugal. Quando ouço alguém se queixar depois de um dia de chuva, recordo que isso também é oração. Que venha chuva, muita chuva.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018