sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Castidade




Ricardo Moraes/reuters

[Secção desabafos] Em Igreja (e em sociedade) ainda há tanto caminho a fazer para perceber a riqueza e beleza do corpo. Enquanto se formar ao nível da castidade como caminho de pureza angelical, andar-se-á com máscaras atrás de máscaras puritanas na elevação sacerdotal, distorcendo o sentido da entrega total de serviço e amor ao próximo. Os piores inimigos: o auto-engano e projectar o problema nos outros.

Cadeira Vermelha




[Secção actividades escolares e mundo] O Papa Francisco pediu a toda a Igreja que o próximo dia 19 fosse dedicado a pensar nos pobres. No Colégio antecipámos para hoje. Este dia foi preparado pela Comunidade Educativa ao longo das duas semanas a partir do projecto Cadeira Vermelha (La Silla Roja), promovido pela Entreculturas, ONG espanhola dos jesuítas. Este projecto junta Educação e Desenvolvimento Social e Humano, em especial com crianças e jovens, alertando para os cerca de 246 milhões no mundo que não tem escolaridade: conflitos, trabalho infantil, falta de condições de ensino. Cada turma tinha uma cadeira. Antes de a pintar/decorar, faziam uma reflexão sobre toda esta problemática. Agradecer, antes de mais, a possibilidade de aprender. Depois, como essa boa aprendizagem a todos os níveis já é uma ajuda ao desenvolvimento social, podendo contribuir para a diminuição da pobreza. Hoje entregaram as cadeiras e a comunidade educativa fez um minuto de silêncio de pé, levantando-se contra a pobreza. E, assim, continuamos em caminho educativo de humanização.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Outono




Dia Mundial da Filosofia




Esta tarde, em celebração do dia mundial da filosofia, foi promovido um Café Filosófico com alunos de diferentes anos do terceiro ciclo, com a disciplina de Pensamento Crítico, e do secundário, com a disciplina de Filosofia. Numa grande roda de discussão sobre “Os Jovens: que geração no século XXI”, foi muito interessante ver como os alunos apresentavam as suas opiniões e argumentos. Começou com reflexão sobre a tecnologia (estar todo o tempo ao telemóvel, as redes sociais, as vantagens e perigos da internet), passando pela diferença inter-geracional, liberdade, religião, respeito pela diferença, etc.. Em ambiente bastante tranquilo, um(a) e outro(a) iam apresentando as concordâncias e discordâncias, com respectivos argumentos. Uma sociedade para ser livre tem de saber pensar. Quem sabe pensar, sabe que a educação que forma para o pensamento com sentido crítico é fundamental para a liberdade e para a humanização. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Encontro místico




[Secção pensamentos soltos] Tenho para mim que a experiência de encontro místico reveste-se de entardecer. Aquele lusco-fusco que encaminha para o ocaso de ideias, projectos, falhas, pecados, misérias, tristezas. Entra-se no silêncio que convida desvelar toda e qualquer visão de adereços, cingindo-se a escutar, sem julgamento primário e condenatório, o Ser que se é. Talvez por isso a noite incomode. Talvez por isso a noite liberte. É outra face da Vida. 

domingo, 12 de novembro de 2017

Sombra e luz




[Secção outros tons] Luz em cada canto sombrio: clarifica o que é desconhecido, dando-lhe nome e, sem julgar, busca amar.

sábado, 11 de novembro de 2017

Memórias




[Secção memórias] Nestes últimos dias tem havido troca de mails entre animadores de um Campo de Férias de há 10 anos: o Melgas I 2007. E eis que a memória se desperta para tantos momentos do Campo. Entre o dia mais quente do ano durante a caminhada (ah, foi em Ponte de Sôr, Alentejo profundo, portanto), a virose que surgiu atacando todo e qualquer intestino, houve muita animação e boas partilhas a partir de tanto, como dos sonhos realizados pelas equipas, de jogos e reflexões sobre a vida. Desde lá muito aconteceu. Por exemplo, a entrada na Companhia de Jesus de um participante deste Campo. Não sei o que pensava no momento da foto. Hoje, sei que, diante das memórias, é de continuar a agradecer o muito vivido.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Dignidade recíproca




Theerasak Saksritawee

[Secção desabafos] Estão muitas mulheres a revelar o assédio a que foram sujeitas. Mais ou menos subtil ou totalmente descarado, foram vistas como objectos de prazer em mundos que (ainda) não compreenderam o respeito pela dignidade recíproca. O meu parêntesis no “ainda” deve-se aos comentários tipo: “na altura deu jeito para a fama, agora é que falam”, “quando precisaram não disseram nada” e outros “mimos” que tais. Houve muitas que não falaram e suicidaram-se. Outras tantas, que foram rejeitadas pelos próprios que delas abusaram e, depois, pelas famílias, aguentando como “mulheres-coragem” a vida e filhos bastardos. Ainda as há que, sim, evoluíram na carreira e, estando já mais seguras, resolveram dizer basta em nome das que continuam a ser sujeitas à objectifiação do ser mulher. Na altura era “normal”. Afinal, quantos séculos foram necessários para que uma mulher pudesse ser considerada cidadã com direito de voto? E correr numa maratona sem ser escorraçada a empurrões e pontapés? E ser, por exemplo, motorista da Carris sem ouvir piadas de colegas e de passageiros? (Este último exemplo contou-me há simplesmente 15 anos uma motorista.) Volto ao mesmo: os crimes de violência de género são públicos. Há responsabilidade social sobre tudo isto. Não são elas que “se põem a jeito”, é cada um de nós que tem de se ajeitar à educação pela dignidade recíproca.


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Educação



Sílvia Lobo

[Coisas na vida de um padre] Celebrámos hoje a Missa de S. Nuno, padroeiro do Colégio das Caldinhas. Vivo o terceiro ano na missão de coordenar a Pastoral deste Colégio, grande complexo educativo de 5 escolas cheias de humanidade. Têm sido anos de desafios, grande parte deles inesperados, e de muito agradecimento, em especial pelas obras que cada educador põe em prática na exigente missão de educar, seja na docência, seja nos diferentes serviços de não-docência. A educação integra as várias dimensões do ser. Enquanto escola, cabe-nos complementar a educação primeira dada em casa com as letras (o racional/intelectual) e as virtudes (o racional/humano-espiritual). Cada turma preparou a Missa oferecendo uma fotografia onde deu corpo a um verbo humanizador. É de dar graças por acompanharmos o crescimento de homens e mulheres do presente, ajudando-os a ser mais conscientes, competentes, compassivos e comprometidos.

domingo, 5 de novembro de 2017

Breve oração antes de adormecer




René Pronk

Agradeço-Te os sonhos e o coração transformado.
Enquanto luz, faz-me ser cada vez mais terra
fértil de novo amanhecer.


Como amar alguém violento?




Robert Virtue


[Secção pensamentos soltos] Como amar alguém violento? Pergunto amar, não pergunto tolerar, aceitar ou promover. A natural reacção primeira é a de ripostar com igual violência, desejando-lhe o pior. É forma básica de protecção. Desejar-lhe o pior é desejar que desapareça, morra, seja anulada a sua existência. Repito: é natural. Ou seja, não se pode julgar essa reacção. Daí que o perdão, essa intensa forma de amor, não seja de todo automático, nem sensacionalista. É de caminho lento, demorado, em passo peregrino, de profundo reconhecimento de amor próprio. Quem é violento necessita do amor que anule essa violência. É uma vítima de tanto, de si mesmo, nessa marca de demonstração de poder que mais não é que um imenso complexo de inferioridade. E tanto mal faz. O violento, o agressor, tem de ser travado nos seus actos. Contudo, insisto, tem de ser amado por alguém. Esse amor não é desculpar as suas acções violentas, agressivas. Elas têm de ser responsabilizadas. Esse amor é cortar a violência não com outro tipo de violência, mas com o desejo de que o outro viva.

sábado, 4 de novembro de 2017

Estrelas a dançar no Kastelo




[Secção pensamentos soltos] Estrelas a dançar ao vento, em 39 segundos. Podia ser mais, mas era o suficiente para contrastar com os minutos de violência de outros vídeos que por aí circulam. Estas estrelas estão penduradas numa das árvores do jardim do Kastelo, uma casa cheia de Vida, onde se presta cuidados continuados e paliativos pediátricos. Estive lá hoje, em conversa com alguns familiares. Espiritualidade era o tema. Escutei histórias de dor, partilhadas entre lágrimas e sorrisos, confusão e gratidão. “Ficamos mais humanos”, “ganha-se consciência do amor e do que realmente importa”, “a felicidade não se mede em coisas, mas em vida partilhada”, “basta um sorriso”, “o tempo relativiza-se”, “anjos e especiais é o que estes meninos são”, “no final, apercebo-me da benção. Obriga-me a ver a vida em cada dia de forma diferente.” No final, houve abraços. O Kastelo move-se de abraços e desperta para o que realmente importa: respeito pela vida do outro. Em contraste com a violência em vídeos que por aí circulam, 39 segundos de estrelas a dançar ao vento. Convidam a entrar no Kastelo. Uma casa cheia de Vida. 

P.S. - O Kastelo é finalista de um prémio. Dá para votar nesta obra para a Vida: 
http://onortesomosnos.jn.pt/?contest=video-detail&video_id=132

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Morte? Vida




Jim Brandenburg


A morte não é o fim, mas o início do novo modo de relacionar. Há mortes que se preparam, outras são inesperadas. Ambas obrigam a ver o mundo de forma diferente. O luto natural e necessário faz pensar e sentir a mistura da saudade e tristeza pelo abraço não dado, o carinho por fazer, a história por contar, o perdão que ficou estacionado entre o dar e o receber. Também no sentimento de gratidão, nessa luz recebida enquanto se privou com quem partiu. Não é em vão que se condensa num dia, logo após a festa da totalidade dos Santos, a memória de todos os que já partiram, incluindo aqueles que não tiveram uma mão amiga que os acompanhasse no momento tão forte como o nascer. A vida não acabou, modificou-se o modo de relacionar. Por isso, esse sempre que caracteriza a vida, permite que de forma especial neste dia, ao recordar nomes no silêncio da oração ou da celebração, haja agradecimento, perdão e abraço.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Ser santo - II




[Secção outros tons] A terminar o dia de todos os Santos na transição para o dia 2 de novembro.

Ser santo



[Coisas na vida de um padre - texto repescado de há 3 anos e adaptado] Regressava da Missa. No metro, claro está [eu e o metro, com tantas histórias]. Vinha a pensar na santidade, nisto de ser santo. Apercebi-me que estava a ser modelo de “sketching”. Aquele olhar típico em subida e descida, acompanhando a caneta no movimento de registo. Não resisti à curiosidade e fui espreitar. Pedi para fotografar. A minha imagem, em conjunto com a de outras pessoas, desenhadas pelas mãos da Milly, deve ainda estar por terras da Noruega. Seguindo viagem, continuei nos pensamentos: Até que ponto a santidade não será o deixar-se ser modelo de Bem para alguém? E, no fundo, permitir que esse testemunho vá pelo mundo fora? Parece-me que, para isso, há que desejar ser santo. Eu quero continuar a sê-lo cada vez mais. Não pela auréola, altar ou ar cândido, mas pela certeza da conversão, de, apesar dos medos ou dúvidas ou pecados, deixar-me transformar em direcção do amor e da justiça. Sim, quero ser santo e quero fazer milagres, dos que aliviam penas e dores, ao jeito de Deus que ama e faz sorrir pelo seu humor, que serena o coração e acolhe. Há 3 anos, regressava da Missa, no metro, e vinha a pensar nisto de ser santo. Pensamento que ainda continua. 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Necessidade do feminismo




Jon Nazca/reuters

[Secção desabafos] Um ex-ministro, supostamente culto (cof cof cof), professor de filosofia, agrediu, aliás, continuou a agredir, em muitas dimensões, a ex-mulher. Foi condenado, com pena suspensa. Há dias, foi a cena do outro acordão e tal e coiso. Enquanto em sociedade não se perceber a importância do simbólico do que, infelizmente, pode legitimar a continuação da violência doméstica, então, não se fale de justiça de forma tão determinada. E, não, o amor NÃO aguenta tudo. O “dar a outra face” pode significar distanciar. Por já saber de muitas histórias, percebo a importância e necessidade do feminismo. Boa noite!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Endireitar-se. Ser chamado à Vida.




Daniel Arranz

[Secção pensamentos soltos depois da leitura de Lc 13, 10-17] Estar curvado é ter o olhar direccionado para o chão. A prisão da dor física e visionária. A mulher, curvada há 18 anos, apenas podias dar passos curtos, que mantivessem a segurança, a sobrevivência. No entanto, não era a única. Aqueles hipócritas que não permitiam a cura ao sábado, eram curvados de mente. Fechados à doutrina, não percebiam nada de Vida. A mulher é chamada à Vida. Endireitar-se é abrir horizontes, é alargar a vista a novos passos de descoberta. Jesus recorda que ela é filha de Abraão, o pai da promessa da Liberdade, valendo mais que o jumento não negado em água diária. Para quem tem dificuldades em perceber que somos chamados à Vida para além de qualquer característica, ainda está muito curvado de mente e de coração, acabando por projectar as suas dores, idolatrando doutrinas. Jesus ama para além de doutrinas. A mulher é chamada à Vida. Todos somos chamados à Vida.

domingo, 29 de outubro de 2017

Amar




[Secção outros tons] Em dia de recordar o “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, com hora nova.

sábado, 28 de outubro de 2017

Força dos gestos




Ammar Awad/Reuters

[Secção pensamentos soltos] A força espiritual das coisas. Podia ser o título de um texto que nos fizesse recordar o quanto as palavras e os gestos têm força para além do tempo e espaço de que são realizados. As dimensões racional e espiritual caracterizam-nos enquanto humanos. O gesto pensado com sentido de humanização tem efeitos de transformação de mundo. A palavra escrita numa carta ou mensagem ou a vela que se acende por oração de alguém estendem humanização tanto à pessoa que a faz como a quem irá receber, mesmo que nunca tenha conhecimento de tal estar a acontecer. O gesto negativo também tem esse peso transformador. Por exemplo, apagar velas numa Igreja, se tal não for por uma questão de segurança, é apagar essa luz que foi acesa na intensidade das horas e relação, mesmo que essas pessoas, iluminadora e iluminada, estejam a milhares de quilómetros de distância. A fé é afectiva. No gesto ou palavra, conforme a fé que lhe colocamos, podemos dar ou tirar vida. Em muito terá de haver funcionalismo, pragmatismo, no entanto, especialmente em espaços onde se espera respeito pela vida de cada pessoa, a poesia dos gestos realizados, como acender uma vela para iluminar alguém, ajuda-nos a perceber a força espiritual das coisas. Afinal, as palavras e os gestos têm força para além do tempo e espaço.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Agradecer!




A Vida só faz sentido quando partilhada. Pode ser no silêncio da oração, como nas palavras com corpo ou gestos pessoais que traduzem o sentir de tanta amizade. O dia de aniversário é mesmo um insuflar de vida. Sinto-me tão agradecido a Deus. O dia de ontem foi cheio de sentido e muito simbólico. Ainda estou a ler as muitas e muitas manifestações de carinho que recebi. Não conseguindo responder a todas as mensagens de forma personalizada, tal como gostaria, deixo aqui o meu agradecimento de coração cheio, com a certeza da oração através do abecedário e assim abarcar cada uma e cada um de vocês que fazem parte da minha vida. Ah, e darei um passo de dança a continuar a comemorar. Haja celebração!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

38 anos




Em 38 anos a memória pode desfocar. Mas o gosto de celebrar a vida e agradecer a Deus tanto bem recebido pela família e amigos está bem nítido.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Encontros bons encontro




Pintura de Francisco Rodrigues - Pica. 
Feita no último campo de férias, a pintura expressava os laços, os encontros.


[Coisas na vida de um padre - parte 2] Há pouco, no Encontro de Neonatologia, no momento de dar a palavra ao público: “Boa tarde, sou Joana, interna de pediatria. Agradeço muito este momento. Também ao padre Paulo, pelo bom do que escreve e pelo que aqui disse”. No final, fui cumprimentar e agradecer. “Eu e o meu marido já seguimos o blogue há bastante tempo e foi uma boa surpresa encontrá-lo aqui no Encontro.” Foi bonito e fez-me dar um grande sorriso. 


Humanizar




[Coisas na vida de um padre] Aconteceram-me duas situações que provocaram irritação e tristeza. De diferentes modos, irritação pela falta de respeito, tristeza, pela falta de amor que está claramente por trás. Entre as situações e agora a escrita, estive numa conversa no III Encontro de Neonatologia do CMIN - Porto, com o tema “Ver a vida por um fio... cuidados paliativos neonatais”. Foi tão boa a conversa, onde salientámos a importância da humanidade no cuidado técnico, que rapidamente a irritação dissipou-se. Em realidades dramáticas, recordar como a vida de cada pessoa, doente, familiares e técnicos tem tanto a dizer. Já ontem em Famalicão, numa conversa sobre Igualdade na Casa das Artes, salientámos o quão fundamental é o amor próprio, para além de deficiências ou crenças. A tristeza ainda fica. Recorda o trabalho a fazer nesse convite a humanizar

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Citar a Bíblia



Thomson Reuters Foundation

[Secção desabafos] “Bíblia” significa conjunto de livros. Por isso, citar “a Bíblia” é um erro. Quanto muito, cita-se algo de um livro concreto bíblico. Quando se cita algo bíblico é preciso conhecer minimamente bem o contexto, para não se cair em erros de interpretação ou teológicos que podem causar danos e profundas injustiças. Ler num acordão, onde aparentemente se espera justiça e humanidade, citações que justificam a violência, inclusivamente a possibilidade da morte, então, algo vai mal na cabeça e coração dessa pessoa que decreta tal aberração. Como padre, ainda mais com muita sensibilidade a questões de violência doméstica, só posso repugnar tal acordão. Ao juiz e à juíza (ainda me dói muito mais saber que uma mulher assinou tal coisa) convido à leitura da passagem do Evangelho segundo S. João, capítulo 8, versículos 1 a 11. A tal em que levaram a Jesus uma mulher apanhada em adultério para ser apedrejada. Jesus, de suave, disse: “de entre vós quem não tiver pecados que atire a primeira pedra”. O texto segue com a informação de que, do mais velho até ao mais novo, saíram TODOS. A justiça não pode compactuar com a violência. E se porventura se citar livros bíblicos, que se faça com o profundo sentido de respeito pela humanidade.


Fazer o bem




Ontem, depois de uma boa conversa e meditação sobre ajudar a trazer e viver o bem no mundo, tirámos à sorte uma carta com um pensamento de Fernando Pessoa. Calhou-me esta. Do melhor para fechar o domingo e iniciar a semana. Fazer o bem, porque sim.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

42 anos




Kátia Viola


42 anos de vida partilhada… celebram hoje a minha Maria e o meu José. Nestes três anos de padre, já celebrei alguns casamentos. Recordo-lhes que o amor primeiro é o de casal. É esse amor que se vai transformando, aprimorando, entre os dois que inspira a ser boa mãe ou bom pai. O casamento é das vivências de relação mais complexas. No vosso caso, Mãe e Pai, sei que dão o melhor, na paciência, no sorriso em conjunto, até mesmo no silêncio com lágrimas de (in)compreensão. Agradeço muito este dia. É a minha história também, em dia de S. Lucas, que escreveu sobre a família, a misericórdia, o envio a anunciar a Boa Nova. Se ajudo outros a encontrarem felicidade e liberdade, é também graças à vossa decisão de dizer “sim” um ao outro, diante de Deus. Queridos Mãe e Pai, gosto muito de vocês! Com carinho, um beijo e um Abraço, Filho.

Luto em Portugal






JFS/Global Images

[Secção desabafos] O silêncio pode ter muitos contornos: de respeito, de indignação, de indiferença, de interesse. O silêncio, tal como tudo o que reveste o ser humano capacitado de razão, não é neutro. Se há momentos que se compreende a prudência, noutros, o silêncio de cariz político para “não se molhar” ou manter um posto simplesmente pelo poder, revela a total desumanidade e capacidade de liderança num Estado dito de Direito (e de Deveres). O dever de um governante é de ser responsável por aqueles que governa e quando se entra em total desgoverno, mostrando insensibilidade pela morte de mais de 100 pessoas por motivos de incapacidade política diante das tragédias, então é altura de se repensar essa mesma liderança. Cada vez mais perde-se a força do simbólico no melhor dos sentidos. Perde-se a noção da importância das declarações de quem nos governa que, mesmo sendo na agitação do momento, não se compreendem. Nem um simples pedido de desculpa ainda surgiu por parte do poder político. Todos são responsáveis. É muito grave! A política que se perde no poder pelo poder deixa de ser política. A política, no seu sentido mais profundo, importa-se pelos seus cidadão, pela sua “polis”. É triste continuarmos há anos em desgoverno. As ideologias políticas podem ser diferentes, mas, diante da morte, todos os sinos tocam também por cada um de nós. A morte de pessoas, de bens, de florestas, da dignidade política, significa morte de humanidade. É grande o luto em Portugal.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Muitas.



Paulo Cunha/Lusa

[Secção desabafos] Fico no silêncio. As horas, em mim, são de oração. A incompreensão é grande. Que não se “culpe” a natureza. Ela é amoral. O ser humano é que vive em razão, levando a que o seu comportamento errado ou negligente destrua. Aí, querendo ver-se ou não, há culpa. São muitas as mortes. Muitas.

domingo, 15 de outubro de 2017

Educar




Jason Reed/Reuters

[Secção pensamentos soltos] Recentemente, li dois artigos sobre o aumento de alcoolismo e sexo na adolescência. Ambos, estando fora de qualquer contexto religioso, apresentavam muitas preocupações. Se forem lidos na superficialidade, corre-se o sério risco de conclusões igualmente superficiais como “a adolescência está perdida” ou, em casos mais extremos, “o mundo está perdido”. Como gosto de seguir por um realismo acompanhado de esperança, analiso com preocupação os dados recolhidos e tento pensar, em diálogo com mais pessoas, o que podemos fazer para ajudar a que estas preocupações possam diminuir. Afinal, quanto mais aprofundo no conhecimento da corporeidade, mais dou conta da complexidade que anda à volta da humanidade. 

O mais fácil é ficarmos no branco e preto: “proíbe-se e já está”. O mais difícil: tomar consciência dos muitos tons de cinzento, acrescidos da imensidão de outros tons de cores que estão inerentes à realidade humana, e de que a educação é um processo em que todos somos formadores e formados (pais e filhos, alunos e docentes/não-docentes, fornecedor/consumidor, etc. etc.). 

Nessa dificuldade, saltam-me perguntas: como anda a relação, conhecimento, amor, do pai/mãe consigo próprio, como homem/mulher? Como anda a relação, conhecimento, amor, do pai/mãe com o(s) filho(s)? Entre a velocidade de mudanças que acontecem na actualidade, conseguir dar resposta a isto não é nada fácil nem imediatamente claro. Adolescentes com 13 anos com comas alcóolicos ou já três ou quatro parceiros sexuais, em jogos de alto-risco, são resultado de muitos factores. Um, dos piores, é a negação, à qual se junta o idealismo, como projecção de frustrações pessoais: “o meu filho ou minha filha são perfeitos, o problema são os outros que não o compreendem”. Outro, na ponta oposta, o do “descompromentimento”: “o meu filho ou a minha filha têm de saber o que é a vida. Há que deixar viver tudo desde cedo!” O mais grave e explosivo: é não se dar conta de que se está a ser ou hiper-protector ou negligente. Quando se fala de uma educação para a afectividade, é preciso ter consciência que somos seres de afecto. Tanto me afecta negativamente um pai/mãe hiper-protector, como um completamente negligente. 

As crianças e os adolescentes não são adultos em miniatura. Precisam de quem lhes ajude a viver o equilíbrio biológico, psicológico, afectivo e espiritual nos tempos certos. Os adultos estão a ter cada vez menos tempo, físico e mental, logo, menos paciência para educar. Usa-se muito a expressão de “ter filhos”, mas não é uma questão de “ter”, mas de “ser pai ou mãe”. Daí que a ponderação da m/paternidade seja de grande exigência. 

Falar de álcool, de sexo, de drogas, de frustrações, com adolescentes exige tempo e respeito. Nem puritanismo, nem deboche, mas noção de que a realidade tem de ser enfrentada e conversada ora com crueza, ora com ternura, consigo mesmo e com as crianças e adolescentes que, repito, não são adultos em miniatura. Em caso de dificuldade, que ninguém se julgue imediatamente como “mau pai” ou “má mãe”, mas busque ajuda.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

De manhã




[Secção outros tons] A manhã tem laivos de novidade. Entreabrem-se perguntas de existência e autenticidade, num mundo que se quer mais luminoso. As certezas absolutas? Deus não se cansa de amar. Da parte da humanidade: a consciência do ainda muito a descobrir e surpreender. Que seja para a liberdade.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Amor [ao próximo]




Tony Gentile/Reuters


[Secção outros tons] O amor ao próximo tem cor de oliveira em tons de amanhecer. Compreende a dor e não julga. É pessoa revestida de nardo puro.

domingo, 8 de outubro de 2017

[...]




[Secção outros tons] Ao terminar um dia de muitos pensamentos.

Conversas soltas



Eric Harris

- Que sentes ser do mais perigoso no ser humano? 
- Não enfrentar a sua própria sombra, acabando por projectá-la no outro. 
- E do mais libertador? 

- Ser capaz de amar os inimigos. Sinal de que atravessou o longo e grande caminho de justiça e de paz, primeiramente consigo mesmo. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

"Precisamos de forças para reconstruir"




Teresa Lamas Serra


[Secção outras perspectivas, a partir da minha escuta de quem passou por terras queimadas e não quer que tal caia em esquecimento] Nota-se pequenos despontares de verde. Verde eucalipto que tem demasiada força. “Será que nós humanos a temos?” Na rapidez dos tempos, já passaram meses, em plural que aumenta a distância e diminui a importância do tema. Já se gritou, chorou, chocou com a desgraça, contudo “menina, nas televisões já se está noutra.” Ainda assim, as ondas continuam em efeito de saudade e mágoa. Já não é tema político, social, nacional. As terras e os corações queimados estão longe dos écrans e de agendas. No entanto, o luto pelas mais de 60 pessoas está muito vivo em gente que não se conforma com a injustiça. Mas, “vai-se perdendo forças de lutar. Precisamos delas para reconstruir.”

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Filhos a partilhar algo afectivo




Abhishek Murmu

Caras mães, caros pais, se o vosso filho ou a vossa filha partilhar convosco algo relativo à vida afectiva, em particular sobre a orientação sexual, por favor, acolham-no(a) com todo o respeito e amor, como qualquer pessoa merece ser acolhida quando partilha algo que para si é de grande importância. Não descarreguem sobre ele(a) as frustrações, as vergonhas, os medos, a incompreensão, o desespero. Muito menos usem qualquer tipo de violência, nem promessas de castigos divinos. Ele(a) não é um(a) degenerado(a) ou coisa pior. Ele(a) é um ser humano que, sendo vosso(a) filho(a), merece ser acolhido(a) e amado(a) simplesmente por ser quem é. Obrigado!


Já agora, o link para o texto que escrevi depois do encontro que tive em Paris com um grupo de pais católicos com filhos de orientação homossexual: 


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Redes sociais




Masayuki Yamashita

[Secção desabafos] Tenho um ou outro amigo que decidiu sair do facebook. “Chega de ruído emocional em vídeos, imagens e, sobretudo, palavras”, comentava-me um deles. As redes sociais ou caixas de comentários, no facebook em particular, transformam-se em espaços de gritaria sem qualquer filtro, onde se agride com grande facilidade. Ajuda esse intermediário monitor, onde não há face-a-face. No entanto, o modo de agir facebooquiano acaba por ganhar espaço para lá do mundo virtual, on-line. Apercebo-me que a agressão verbal, mais ou menos bruta, está a tomar proporções de terrível normalidade. Exige-se o impensável, em nome da “minha opinião” ou “meu interesse”. O individual resvala para o individualismo com muita facilidade, passando-se para a ofensa como “liberdade de expressão”. A unilateralidade torna-se modo de pensamento e de acção. Isto é perigoso, já que o sentido crítico esfumaça-se sem qualquer subtileza. Afinal, a crítica não tem nada que ver com matança humana, mas com manifestação de acordo ou desacordo a partir de argumentos que contribuam para a construção da humanidade. Confesso, por uma ou outra vez já pensei retirar-me e escrever apenas aqui no blogue. Há momentos que cansa, e muito, tanta descarga de ódio. Custa ainda mais, quando se vê que já se está a tornar um modo de agir no quotidiano. A definição mais conhecida de ser humano ainda tem “racionalidade” no seu conteúdo. Não sigamos em caminho de ficarmos pelo “animal”.  Pensando no escrevi ontem, ainda acredito na importância e força da pele.

domingo, 1 de outubro de 2017

Pele




[Secção outros tons] Depois de leituras, mais ou menos fugazes, do dia de hoje...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Arcanjos




Helena Mestre - no último Campo de Férias

[Secção pensamentos soltos - especial festa dos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael] "Deixa-te levar. Confia.", disseram-me no momento surpresa aos animadores no Campo de Férias. Os passos de evolução pessoal conduzem à liberdade de também deixar-se ser levado, quando tal faz sentido. 
- Ah, mas, ainda assim, podes ser encaminhado para algo que não queiras ou não gostes.

- Se em ti o Bem ganha lugar, todo o caminho, mesmo o mais escurecido, é oportunidade para que Ele se torne ainda mais presente. Afinal, apesar de apenas tu o puderes percorrer, anjos e arcanjos, também de carne e osso, não se cansam em dizer "deixa-te levar. Confia."