terça-feira, 8 de agosto de 2017

Comoção existencial




[Secção tempo de paragem] Entre luz e sombra, o silêncio faz-me encontrar a importância de Deus no nada. Sim, a oração de agradecimento ou petição. Mas, mais profundamente, o silêncio que desperta o que Paul Tillich, teólogo, descreveu como "comoção existencial": sou podendo não ter sido. A gratuidade dos pés assentes na terra recordando o sagrado de tanto na minha vida. Pode-se descansar, e bem, de tudo. Mas que não se descanse de quem se é e, para quem n'Ele acredita, de Deus. Ele deseja profundamente o nosso crescer em terra sagrada que somos.

sábado, 29 de julho de 2017

Tempo de paragem - Até breve!


[Secção tempo de paragem] Várias vezes comento sobre a importância da passagem em que Deus descansa depois de ter visto que o que tinha acabado de criar era muito bom. Na minha história há tanta coisa muito boa, incluindo a que aparenta ser menos boa. É preciso tempo para reconhecer e agradecer. Daí que entro em modo paragem: retiro, férias e campo de férias. Além de rezar, como de costume, o abecedário, desejo um bom tempo de descanso para quem o terá e muito ânimo para quem ainda tem de esperar um pouco mais. Até breve!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Desejo de Paz e Reconciliação




Kátia Viola, exactamente há 3 anos, na Missa Nova em Portimão

Há pouco, escrevi um post a falar da sensatez a ter na vida, de modo a impedir que o emotivismo tome conta da sociedade. Escreveram-me a recordar que há 3 anos, na minha Missa Nova, apelei à Paz e à Reconciliação, tanto na homília como na oração eucarística para as Missas da Reconciliação. Diante de Deus, como padre, é das coisas que mais quero, ser promotor de Paz neste mundo.


Equilíbrio... bom senso...




Chris Eyre-Walker

[Secção desabafos] Encontrar o equilíbrio, a partir do bom senso, é algo difícil. O humano não se situa em extremos: puro racionalismo ou puro emotivismo. Reclamar, criticar, reivindicar, faz sentido quando acontece a partir da vontade de ajudar o outro ou algo a ser melhor. Claro que isto de ser ponderado exige muito trabalho pessoal, de cura de mágoas e ressabiamentos. Se assim não for, reclamo, critico, reivindico em ataque, provocando igualmente danos humanos. Neste último tempos, a acompanhar polémicas pelas redes sociais, resumo em "sou tão anti-fundamentalista que por mim podiam morrer todos os fundamentalistas". O ódio em crescendo, com tal subtileza, mesmo em nome de direitos, assusta. Não se pode exigir humanização com desumanidade. Parafraseando Gandhi, em breve acabamos todos cegos, sem dentes e sem vidas, independentemente das características de cada um. Obviamente as faltas de consideração incomodam, doendo até pelo nível de injustiça, mas ao longo de toda a história da humanidade fomos recebendo ferramentas para lidar com elas sem que necessariamente se entre em caminhos de ódio. Isto de amar os inimigos, pensado e escrito há 2000 anos, por exemplo. Estudando um bocadinho de História, percebe-se como muitos ditadores, tanto de direita como de esquerda, aproveitaram muito bem o emotivismo social. É preciso justiça em tantos casos recentes, contudo, que seja, passo a redundância, verdadeira e autenticamente justa, alicerçada na honra e no respeito por pessoas concretas.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Boas recordações




Arte Magna

[Coisas na vida de um padre] Com o amanhecer, chegam recordações de momentos bonitos e felizes…


domingo, 23 de julho de 2017

Corpo e relação




Migz Nthigah


[Secção pensamentos soltos] Estive a ler o artigo “Cupido 2.0” de Nelson Marques no E, a revista do Expresso, deste sábado. Junta temas que entram na minha linha de interesse sobre o ser humano: corpo e relação. Para quem não leu, tem por base a evolução das aplicações para promover encontros, com forte objectivo sexual. Na linha do post anterior, sem fazer julgamentos demasiado apressados em especial por quem se escandalize mais rapidamente pensando que o “mundo está perdido”, confirma-me a lógica do pêndulo. Durante séculos, reprimiu-se o corpo, colocando tudo o que fosse sexual no âmbito pecaminoso (ainda hoje muitas pessoas vivem dessa forma), sem se olhar e perceber a beleza do ser corpo, em especial na suas dimensões afectiva e sexual. Com o passar do tempo e evoluções tecnológicas dá-se a libertação dessa opressão corporal. O que acontece ao pêndulo quando é largado depois de puxado a um extremo? Segue até ao outro. Neste caso, explorar ao máximo as potencialidades corporais, que são direccionadas, de modo particular, no sexo, cru, sem necessidade de mais. Ora, nem anulação, nem absolutização do corpo. Ao longo do artigo, vai surgindo várias vezes a palavra “ego”: “ajuda o ego”, “estimula o ego”, “satisfaz o ego”. Bem, mais que “ego”, por, infelizmente, ser rapidamente conotado de forma pejorativa, prefiro o termo “self”. Nós somos seres de e em relação. Estas aplicações de encontros são uma forma sofisticada de anúncios já de há anos ainda sem internet: “senhora procura cavalheiro”, “cavalheiro procura senhora”. Se é fugaz ou profunda, há necessidade da relação para dar corpo à identidade. “Quem sou?” De forma geral, alguém corporal, mental e espiritual. As particularidades dependem de inúmeros factores, os quais terão de ser vistos com o cuidado devido para que o “self”, a identidade, única e especial, possa ser respeitada, antes de mais, por mim e pelos outros. O artigo acaba com uma afirmação muito interessante: “Se conhecemos hoje mais pessoas do que nunca e, mesmo assim, não estamos mais satisfeitos, a culpa não será certamente de uma ‘app’ [aplicação].” Correndo o risco de ser redutor, a culpa também tem que ver com o facto de nos conhecermos muito pouco, em especial na riqueza da nossa individualidade, com luzes e sombras. Apercebo-me que cresce a falta de conhecimento da beleza da realidade própria, que conjuga corpo, afecto, intelecto, cultura e espírito, sem entrar em comparações que anulam a unicidade. Parece-me que cada vez cresce mais a necessidade de uma saudável educação para os afectos. Não, não é uma educação para a sexualidade, mas para os afectos. Percebendo aquilo que nos afecta, tal ajuda-nos a crescer, integralmente, em todas as dimensões que compõem o Ser.

Trigo, joio... aparências




Lauren Breedlove

“- P. Paulo, lê mesmo revistas femininas ou disse por dizer para a homilia?” 


Sim, leio. Não é com periodicidade, mas, na casa de alguém, numa sala de espera ou onde houver, gosto de folhear e ter consciência do que se lê. Se têm grandes tiragens é porque são muito lidas. Há artigos interessantes. No entanto, gosto de perceber como a sociedade acaba por ser influenciada por modelos subtis apresentados de “como ser mulher” ou “como ser homem”. Ah, isto vem tudo a propósito da parábola do trigo e do joio, em especial, pela forma como se julga demasiado rápido, seja a si próprio, seja uns aos outros, também pelas aparências. “Se não tenho o corpo desta ou daquela forma, não sou pessoa”; “se não tenho relação sexual, de todo, ou de forma como a revista dá dicas, não sou pessoa e sou ‘antiquado(a)”; “se não educo os filhos desta ou daquela forma, em estado zen, sem nunca me irritar ou incomodar, logo sou um(a) péssimo(a) pai/mãe”: cuidado com estes julgamentos, que são mais frequentes do que se imagina. A parábola, mais uma vez, alerta para complexidade de tanto no ser humano. Nessa complexidade, há que estar com a atenção necessária para não se deixar influenciar por modelos que podem tirar a liberdade. E dar-se tempo, muito e bom tempo, para com calma separar o joio para se ver a beleza do trigo.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Absolutos?




Stevenchou Zhouzheng


Escuto muitas vezes, durante as conversas, absolutos como “não consigo”, “não sou capaz”, “não me é possível”, referindo-se à mudança de algo. Como acredito que as palavras têm força, proponho sempre um acrescento à frase de modo a diminuir a intensidade do absoluto: “de momento não consigo”, “ainda não sou capaz”, “por agora não me é possível”. Abrem-se, assim, pequenos convites à transformação ou conversão... e à esperança. Bom dia!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Silêncios



Samuel Afonso,sj


[Seção outros tons] Há silêncios que abrem as barras de coração que bloqueiam a visão de humanidade.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

"Não nos esqueçam"




Teresa Lamas Serra

[Secção outras perspectivas, a partir da minha escuta de quem passou por terras queimadas e não quer que tal caia em esquecimento] “Há pouco voltei a pegar na enxada e cavei a terra ainda escurecida. Indecisa se semear ou plantar. Os pensamentos estavam na filha, genro e netos que voltei a ter em casa. Perderam tudo. O que se pode semear, menina, depois da desgraça? Até aos cães custa ladrar e aos gatos miar, por terem as gargantas sufocadas do seu modo de gritar. Coitaditos. Não saem do pensamento aquelas horas de agonia. 64 mortos. Eu conhecia, menina. Eu conhecia. Há que refazer a vida. Mas a terra ainda está escurecida.” Em lágrimas, “não nos esqueçam, menina. Não nos esqueçam”.

Porta e passagem




Mariana Salazar


[Secção outros tons] Não me revejo na vista. Fico-me em breves instantes pela porta: regista passagem de peregrinos. Depois, atravesso o amanhecer, de sombra para a luz, em caminho de maior verdade e vida. O resto são adereços.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Crunchie e Bumby




Há tempos escrevi que a Crunchie tinha companhia de nome Bumby. Como não sabia se era um ou uma, o nome era ajustado para qualquer caso. Eu já andava desconfiado. Ontem confirmei que é UM Bumby: a Crunchie pariu 3 crias. O mais interessante foi a minha sensação quando descobri. Voltei aos anos de adolescência em que tive hamsters e os vi nascer. Foi exactamente a mesma sensação… de vida. Vê-la a cuidar, a ajustar o ninho, na azáfama de alimentá-las, deu-me para ficar ali um pouco a pensar sobre o cuidado como instintivo. Nós, enquanto humanos, damos saltos da dimensão biológica para a afectiva e racional: o cuidado torna-se amor de respeito ao próximo, como escrevi no último texto. E divino… quando esse cuidado chega ao extremo no amor aos inimigos. Pois, é isto: a Crunchie e o Bumby tiveram três crias.  
  

domingo, 16 de julho de 2017

terra




Phuc Auh Huynh

[Secção pensamentos soltos] Este domingo tenho andado com “terra” no pensamento. Além de ter de pensar na homilia, ecoavam em mim outras palavras: racismo, “religio-fobia”, homofobia, intolerância, agressividade, cuidar. Muitas mais, evidentemente, mas, para este texto destaco estas… começando por terra.

Os textos deste domingo apontam muito para a importância da terra, em concreto e em metáfora. Na beleza do mito da criação retratado no livro do génesis, percebemos que o ser humano (em hebraico “adam”) é criado da terra (em hebraico “adamah"). Sim, ser humano, englobando masculino e feminino. A nossa condição tem essa dimensão física/biológica que é transversal a qualquer ser humano, SEM excepção. Biologicamente falando, não temos raça. Durante séculos, foi difícil entender isso, dando importância à cor de pele ou linhagem de nascimento, situando entre a hiper-valorização e a desvalorização. Conforme a cor, havia, bem, infelizmente ainda há seres humanos (adam) que são colocados em patamares de sobre ou sub-humanidade. Repito: adam e adamah.

O Evangelho deste domingo fala-nos em especial do semeador e das sementes. Desta vez, como já se notou, fiquei-me pela terra. Desde o terreno pedregoso e espinhoso até à terra fértil. Até que ponto não temos de perceber que cada um de nós tem um pouco de tudo? Pedras e espinhos que impedem lavrar e bloqueiam a nossa visão de humanidade para além de qualquer característica. E terra fértil, onde sementes deram frutos de respeito e de escuta do outro sem o anular ou matar à partida pela sua diferença de características em relação às minhas. É certo que as minhas pedras e espinhos podem impedir-me de gostar de toda a gente, mas não tenho o direito de os anular. Qualquer fobia, mais ou menos evidente, dirigida a pessoas, traduz uma série de pedras e espinhos que têm de ser, primeiramente amados por ainda fazerem parte de mim, ou seja reconhecer sem julgar, e depois, aos poucos serem removidos de modo a que a terra se torne profundamente humana. Isso é de tremenda exigência, porque obriga a ir ao fundo de mim, conhecer-me, na história pessoal e social, e tomar consciência que tirando todas as características sou da mesma terra do que todos os seres humanos que estão na face da Terra. 


Para mim, enquanto cristão, ainda é mais desafiante. Afinal, Deus no qual acredito “enterrou-se” plenamente. Não acredito num deus etéreo, mas em Alguém que assume a própria criação. Daí que Deus não nos vê, nem escuta, a partir de características, mas a partir do ser total profundo em terra à qual Ele próprio pertence. Deus não separa seres humanos. Se existe algo a separar, tal não é a partir de cores de pele, religiões, estatutos sociais ou orientações sexuais, mas da quantidade e qualidade de cuidado que tivemos connosco próprios e com o próximo. Quanto mais cuidado com a terra, mais sementes brotarão, dando muito fruto. 

sexta-feira, 14 de julho de 2017

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Dignidade e integridade




Mustafa Varol

[Secção desabafos] Considero a dignidade como intrínseca ao ser humano. Em aulas, formações, homilias, sempre de dela falo, arranjo uma posição de modo a ficar ao mesmo nível de quem me rodeia. O gesto ajuda-me a recordar que todos, sem excepção, ao nível da dignidade estamos ao mesmo nível. A educação tem o dever de nos recordar que somos chamados ao respeito dessa dignidade: respeitar e ser respeitado. No entanto, o que é, aparentemente, indiscutível, torna-se problemático quando a vida é afectada pelo incómodo da emoção mal gerida, como o apetite ou necessidade de reconhecimento, que leva à afirmação, ora de poder, ora de exploração de outros. A pessoa que assim age está desintegrada nalguma dimensão sua. Afinal, a integridade moral implica a biológica, a afectiva/psicológica, a racional, a social e, sim, a espiritual. 

Nos tempos actuais, temos vivido dramas muito sérios que tocam toda a sociedade portuguesa, tal como a situação do incêndio que lavrou totalmente a vida de 64 pessoas e humanamente a de centenas, em que continuamos com tudo mal explicado ao nível político. Mas essa é outra história. Neste momento, prefiro recordar que, quando tudo aconteceu, a onda de solidariedade mostrou de que integridade é feita grande parte da população portuguesa. As redes sociais foram o meio de informação e pedido de ajuda. Contudo, também se tornaram (como, infelizmente, tantas vezes acontece) o meio de desinformação e aproveitamento (pessoal e político) de tragédia alheia. Em situação de emergência, opiniões de bancada são do pior. E o que mais há e em crescendo são opiniões sem se ponderar minimamente dos efeitos que essas poderão causar, aumentando, como politicamente nos vamos habituando, a desresponsabilização das acções. Muitas vezes desejam-se as soluções perfeitas, mas essas existem no idealismo impossível de alcançar. O que realmente se quer são soluções adequadas à realidade concreta e tal apenas se alcança a partir do terreno com alguém com credibilidade, ou seja, com integridade moral que possa gerir e direccionar com responsabilidade os bens recebidos. 

A emoção é fundamental para mover em caso de perigo. Deixa de ser fundamental, quando se partilha imagens, vídeos ou textos a incitar a mais emoção, sobretudo agressiva e indignada, que não ajuda em nada a quem realmente precisa de apoio. Infelizmente, brinca-se demasiado com o sofrimento alheio. Para que se seja respeitado, há que mostrar respeito.


Em vídeos ou imagens que causem impacto há que ganhar distância, por exemplo, com a racionalidade, fazendo-se perguntas várias de modo a tentar ver o máximo de perspectivas, em que o julgamento final que se fará seja verdadeiramente ajustado. Isto dá trabalho, e muito. Sendo esse trabalho o que também ajuda a promover a integridade moral da humanidade, respeitando a dignidade de todos.

Deixar-se




Teresa Lamas Serra

[Secção outros tons - repescado de há 5 anos] 
- Nunca tiveste a sensação de deixar um pedaço de ti em cada sítio que passas? 

- Sim, bastantes vezes. Sobretudo nas conversas!

terça-feira, 11 de julho de 2017

Encontros




[Coisas na vida de um padre] Em passeio, encontro um pequeno morcego caído em zona com algum movimento. Coloquei-o no muro e lá foi subindo até ao esconderijo. Enquanto o tinha na mão, pensei mais uma vez no fascinante que é a Criação.

Missão Aqui e Agora



[Secção boa publicidade] Pensando na tragédia de Pedrógão Grande, surgiu a "Missão Aqui e Agora, de inspiração cristã e inaciana. Esta Missão tem como objectivo juntar voluntários para ajudar no que for necessário por lá. Fica o cartaz com mais indicações. 



domingo, 9 de julho de 2017

3 novos padres SJ



[Secção Jesuítas-on-fire] Dia grande na Igreja e na Companhia de Jesus: 3 novos padres - o João de Brito, o Duarte Rosado e o Manuel Cardoso. Que o Senhor os abençoe. Que sejam anunciadores da paz e da reconciliação.

sábado, 8 de julho de 2017

Adolescentes




[Secção pensamentos soltos] Estive uma semana com 52 adolescentes de 17 anos. A esta viagem, com os nossos alunos, chamamos de Caravana: em modo peregrino, visitamos os lugares onde nasceram Sto. Inácio de Loyola e S. Francisco de Xavier. Durante as visitas, juntam-se momentos de reflexão, oração, animação e muitas conversas em partilha, a partir das suas vidas com inspiração nas dos santos. No final, fica a boa sensação de agradecimento pela juventude que temos. Por aqui ou por ali, leio ou ouço sobre o muito da sensação de “geração perdida” com os adolescentes da actualidade. Mas, será que é mesmo perdida? Não me parece. Muitas vezes, somos nós adultos que não ajudamos na educação das crianças e adolescentes. Ora se exige que sejam adultos à força, ora se infantiliza em demasia as suas capacidades de ver e pensar o mundo. Ajudá-los a serem quem são é dar-lhes ferramentas para crescerem em estatura e graça com os seus dons. A nossa experiência de vida pode contribuir para orientar, sem nunca castrar ou desvalorizar, a sua espontaneidade e rasgos de mudanças. A adolescência tem o misto de força e de fragilidade muito próprio. Tanto são os maiores, como, quando aparece a dor ou o sofrimento, “clamam” por colo e aconchego. A sensibilidade é muito própria, nesse viver tudo com emoção e intensidade, tanto para o melhor, como para o pior. Então, sabendo disso, há que ajudá-los a canalizar essa potencialidade para que ponham a render ao máximo os seus dons em tornar este mundo melhor. Estes 52 adolescentes, que de “perdidos” têm pouco ou nada, aos quais poderíamos juntar muitíssimos mais deste nosso Portugal e do mundo fora, tem tanto mais potencial a render, quanto mais acreditarmos neles, nessa orientação de quem os quer ver realmente a crescer. 


[Foto: à saída da última Missa da Caravana fizeram um círculo a cantar e a expressar a alegria natural de quem se sente amado… uns pelos outros na amizade e, sem dúvida, por Deus]

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Ao serviço




Ao viver muito, em quantidade e qualidade, termina-se a agradecer e a perceber que algo renovado começa: com a ajuda de Cristo e do seu sorriso, pôr a cabeça, o coração e as mãos ao serviço de um mundo melhor.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Noite Medieval



[Secção Da profundidade da oração, à loucura da animação] Em terra de Xavier, a noite ganha silêncio, deixando a luz irromper pelas trevas. É a noite medieval! Dentro de pouco, teatro com as diferentes equipas a mostrar a sua criatividade.

Sto. Inácio - protector das grávidas




Sto. Inácio de Loyola, nesse seu profundo sentido de amar-servir-amar, ajudou, no seu tempo de Roma, mulheres grávidas, tendo sido parteiro uma ou outra vez. Ele fundou a casa de Sta. Marta para acolher mulheres vítimas de violência e de prostituição. Por isso, a devoção levou-o a ser santo protector de mulheres grávidas. Tanto na Basílica como na Capela da sua conversão, há uma caixa onde vão colocar pedidos ou agradecimentos de gravidez. É isso, em tudo amar e servir em partos de corpo e de alma, ajudando à Vida.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Iñigo de Loyola




Iñigo de Loyola viveu intensamente o ganhar e o perder... ao ponto de saber perder para ganhar algo maior: a liberdade de si diante da profundidade do amor de Deus. Homem de afectos, fez km's a pé pela Europa fora. Aprendeu em inteligência, em vontade e em serviço. Voltar a Loiola é agradecer a espiritualidade que brotou deste homem, que soube amar e anunciar o Senhor de todas as coisas, ajudando-me a dar passos no encontro da liberdade.

Deus não faz acepção de pessoas




Darren Staples/Reuters

[Secção desabafos] Há pouco, a Diana, uma amiga portuguesa dos tempos de Madrid, partilhou num comentário ao post da viagem para Loiola que se apercebeu da presença de Deus em todas as coisas numa Missa. Não foi uma Missa de muitas que vai, mas uma que organizou para homenagear um colega recentemente falecido de nome Ignacio. Ignacio, entre muitas características, era um homem de fé e homossexual, em que ambas trouxeram muitos dissabores de vida, nomeadamente com a família. Talvez por isso, a mesma família optou por um funeral mais intimista, onde muitos dos seus amigos não puderam estar presentes. A Diana não se conformou e organizou uma Missa onde muita gente amiga de Ignacio, independentemente das (des)crenças, se juntou para celebrar o importante: a força da sua Vida, manifestando assim o carinho e amizade que vai para além da morte e, quem sabe, podem ajudar muitos vivos a perceber o que realmente faz sentido é amar sem julgar. São muitas as pessoas que vivem bastante sofrimento na difícil relação entre a sua orientação homossexual e a fé em Deus. Também se juntam famílias, em carregamentos de culpas que não têm sentido. Pessoas que são renegadas pelo seu sentir e modo de amar, nessa busca de simples reconhecimento por serem quem são. Este tema é muito complexo e tantas vezes é tratado com tal simplismo de moralismo culpabilista que esquece o impacto que tem na vida de muito mais pessoas do que se pode imaginar. Quando se deixar de apontar e definir características como próprias ou impróprias, pura ou impuras, dignas ou indignas, estaremos sempre a olhar a pessoa na sua totalidade, percebendo que Deus não faz acepção de pessoas… quanto muito, fará da estupidez de algumas que insistem em separar, segregar, silenciar, castrar, fechadas no seu orgulho religioso. O que vale: as muitas pessoas como a Diana, que acreditam na fé aliada à esperança e ao amor.


domingo, 2 de julho de 2017

Em busca do voo




[Coisas na vida de um padre] Regressávamos da Missa no hospital onde Sto. Inácio ficou hospedado quando voltou a Loiola. Estava o pássaro no chão. Levei-o na mão um bom bocado. Tentava voar e ficava atordoado. "Não posso ficar com, tenho de encontrar quem o cuide." Uma senhora vê: "ai, tenta voar, mas é pequeno ainda!" Contei-lhe que procurava uma maneira de que fosse cuidado. "Eu fico com ele." De certeza que irá voar e longe.

Caravana 2017 - Dar resposta a quem sou



Como dar resposta a quem sou? Como conhecer o modo como Deus vai despertando a força dos meus dons? O silêncio exterior (serenando, sem julgar, as agitações que têm surgido ao longo da vida e não tive tempo e espaço para as ver) ajuda a "des-cobrir" ou "des-velar" os gestos próprios, sem comparações, para amar e servir.

sábado, 1 de julho de 2017

Caravana 2017 - Viagem




Quase a chegar a Loiola, depois de uma longa viagem com muita animação. No caminho recebemos uma carta de Sto. Inácio. Convida à escuta de nós mesmos, com toda a verdade, e assim escutar o quanto Deus desafia a partir da nossa história... percebendo a Sua presença em todas as coisas.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Caravana 2017




Luís Onofre,sj

[Secção coisas na vida de um padre] Hoje foi o grande encontro. Amanhã bem cedo partimos para Loiola e Xavier com 52 alunos do 11.° ano dos três Colégios dos Jesuítas em Portugal. Conhecer os inícios da espiritualidade inaciana desde as terras dos Santos Inácio e Francisco. É a Caravana 2017!

Ver os rebentos depois da desgraça




Teresa Lamas Serra - Castanheira de Pêra


[Secção outras perspectivas, a partir da minha escuta de quem passou por terras queimadas e não quer que tal caia em esquecimento] Chegaram as informações por imagens e palavras, em sons de gritos de desespero e dor, com a aflição das labaredas que desfocam qualquer olhar. Não interessou a política ou os eucaliptos no momento, já que a tensão entre a fuga e o ficar-se para proteger o impossível é a sensação que abafa qualquer reflexão. Choveu, água e solidariedade, acudindo gente perdida de corpo e de alma, de sonhos e certezas. Morreu gente, muita gente. As estradas revelam o negro desolador, dando espaço ao silêncio da impotência e às perguntas de quem chega para ajudar. "Foi preciso muita morte para chegarem os médicos. Quanto tempo ficarão até voltarmos a ser novamente esquecidos?" O tom revelava o misto de agradecimento e o medo da solidão. "Dinheiro? Roupa? Enterrei as minhas galinhas e cabras." Enterrou, dizia com o olhar, a companhia e o sustento. "Agora, tenho de esperar que os senhores importantes decidam o que nunca viram. Gostava tanto que viessem aqui dormir uns dias. Sem palavras. Só dormir, deixar passar as horas e ver os rebentos depois da desgraça."

terça-feira, 27 de junho de 2017

Força e fragilidade




Michael Drost-Hansen


[Secção pensamentos soltos] Das coisas interessantes da vida é aceitar duas coisas: a força da fragilidade e a fragilidade da força. Para que tal aconteça, há que viver na serena escuta de quem se é, de modo a, de forma ajustada, por exemplo, saber aceitar ou ignorar a crítica, tanto positiva como negativa. Ao reconhecer os meus pontos mais frágeis, apercebo-me do quanto podem ser motivo de crescimento da compreensão em relação ao outro. A compaixão torna-se a partilha dos mesmos sentimentos, até mesmo vivência, do outro, levando ao atenuar do julgamento e aumento do silêncio que escuta activamente as dores dando-lhes conforto. Por outro lado, quem, seja por que motivo for, rebaixa alguém a partir da arrogância, além de estar fechado para a sua própria fragilidade e dores ignoradas, torna-se amargo e doentio. Em zonas de muito ruído de opiniões, faz falta o silenciar-se e sentir as dores e feridas a serem curadas… e nesse respeito por si, amar verdadeiramente o próximo. Ah, a exigência de vida!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Leituras




[Secção boas leituras] Este livro, tal como a linha geral de pensamento do autor, tem-me dado que pensar. Bauman, nesta obra, reflecte sobre a felicidade nesta sociedade ávida de consumo de tudo e mais alguma coisa. "A Arte da Vida" de Zygmunt Bauman, p. 81, Ed. Relógio D'Água.

domingo, 25 de junho de 2017

Oração




Yogesh Gupta

[Secção outros tons] A oração é paragem de tempo e de espaço. Entre silêncio e palavras, o ser funde-se com o eterno deixando-se moldar. 


Bom início de semana. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Juntos à Tarde - SIC




[Coisas na vida de um padre] No princípio, a conversa, no final, antes dos abraços e beijinhos, a selfie. Agradeço o acolhimento e simpatia, tanto da Rita Ferro Rodrigues como do João Baião, sem esquecer a Catarina Monteiro e todas as pessoas da produção. Agradeço muito a Ana Melo e Castro,aci, e os padres Antonino de Sousa,scj, Nuno Coelho e Pedro Boto. A reportagem foi um excelente arranque para a entrevista pela simplicidade e força das palavras de todos eles. Entregar a vida a Deus é um desafio sempre a acontecer. Haja animação! PS - A Rita queria que eu pusesse uma auréola na foto. ;)

terça-feira, 20 de junho de 2017

Entre o natural e o racional




[Secção outros tons] O voo picado de uma andorinha é natural. Na vida humana, entre a contemplação e o pensamento, os voos, gestos e palavras devem ter contornos racionais... em busca de humanização e de responsabilidade.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Exames Nacionais




Yannis Pavlis


Começa daqui a pouco a aventura dos Exames Nacionais para milhares de estudantes. Hoje teremos os de Português e de Filosofia. Estes dois são dos que, para além de matérias mais técnicas, tocam a importância da reflexão sobre a Humanidade. Ainda há muito atordoamento com os acontecimentos destes dias, entre o sentimento de impotência e o de solidariedade ante as vítimas e bombeiros. O estudo para o Exame não pode ser apenas para uma nota. Aprender significa também ser chamado a dar o contributo para uma sociedade mais justa, organizada, coerente e profundamente humana. A todos os que vão realizar exames, antes de  começar a escrever, façam uma breve respiração profunda, leiam com calma todas as perguntas e confiem no vosso estudo. Pais, outros familiares e amigos, durante o tempo do exames tirem uns breves minutos de silêncio e pensem em quem está a dar o seu melhor tanto na sala de exame como no combate aos fogos e ajuda às vítimas.