domingo, 24 de dezembro de 2006

Tecendo sem esperar Ulisses



Há anos que não fazia tricot. Mas outro dia lá andava eu à procura de presentes que gostasse de oferecer e dei com uma loja de lãs em Mafra, daquelas muito desarrumada, em que se pode ir às prateleiras e experimentar as meadas, sentir o macio, pedir uma amostra, tirar um montão delas para ver se a mistura resulta. Estive que tempos a conversar com a senhora da loja, que tricotava pacientemente enquanto eu deambulava pelas prateleiras. Medi o tempo que faltava até ao Natal, e destinei logo ali os casacos em lã grossa que podia fazer.

Soube-me mesmo bem recuperar os gestos com as agulhas, mudar de ideias à medida que ia crescendo o trabalho, inventar combinações... E soube-me sobretudo muito bem ir pensando demoradamente em quem cada prenda se destinava. Não sei se saiu mais barato, mas cada laçada deixou-me mais presa às pessoas de que gosto. E, além disso, os casacos não ficaram nada mal!...

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