terça-feira, 28 de março de 2006

Nani o Grande


Troca- tintas

Bismark foi o primeiro a fazê-lo, posicionado à Direita inteligentemente lançava políticas que agradavam à Esquerda. A esquerda essa quando chega ao poder depara-se em muitos casos com a licensiosidade da cartilha que defende dando de mão ao grande chefe Jerónimo a oportunidade para bradar aos céus - que nega - as políticas de direita do governo dos (in)justos de Sócrates.

Conflito ideológico

Sócrates anda a dar cabo de Kafka. Levante-se um Processo...
Deito-me tarde e acordo muito cedo, às vezes oiço coisas, vozes estranhas, muitas vezes não entendo, hoje de madrugada pareceu-me ouvir "prevê-se que a gripe das aves chegue hoje a Portugal".

segunda-feira, 27 de março de 2006

Festim Cru

A barbárie está de volta para as Barbies vestir.

Natália Correia

Em primeiro lugar a memória visual, com o turbante na cabeça, enorme, deitada sobre um sofá, foi para mim sempre o retrato da Odalisca. Se Matisse a tivesse conhecido pintá-la-ia assim...

Vem aí uma fotobiografia, a cavalo pela mão da D. Quixote!

Bernardo Sassetti
- "ASCENT" -
Na sexta-feira 31 de Março
Festa do Jazz no Teatro Municipal S. Luiz - Lisboa

Bernardo Sassetti
6 de Abril, 21h30
Especialmente criado para o Teatro Maria Matos,
com base na banda sonora do filme “Alice”, de Marco Martins. Talvez seja já a mão do Diogo Infante a actuar.
Na mesma sala, no dia 30 de Março, Clara Andermatt apresenta duas coreografias suas.
Para quem viu o filme Alice, achei algo irregular e demasiado longo, a Clara era a mãe que aparecia de mão dada à pequena ilusão de Alice na Rua Augusta.

sexta-feira, 24 de março de 2006

Uma nova postura na vida

Frequentemente dizem-me que não sou uma pessoa simpática e que não sou muito amável, seja lá o que isso queira dizer.
Ora, para provar que de facto sou uma pessoa amável e assim, decidi adoptar uma nova postura na vida. Vou fazer uma experiência segunda-feira: vou dizer um alegre e simpático "Bom Dia!" a todas as pessoas com quem me cruzar na rua.
Contar-vos-ei a minha experiência...

Blower´s daughter


Lembram-se da Natalie Portman? Era ela que caminhava ao som de I can´t take my eyes off you no filme reflexo Closer. Está de volta e a malta agradece em V for Vendetta. Agora de cabelo rapado na onda dos comics numa história escrita pelos irmãos responsáveis por causarem duas das maiores desilusões da história do cinema depois do sublime Matrix part one. Já sei o que vou fazer este fds :)

O que faz falta é animar a malta (Taça III)

Se alguém merece a final é a equipa do Setúbal. Restabeleceu-me a alegria depois da eliminição dos Leões. Verdadeiros mártires os sadinos, o espirito de sacrificio e a vontade de atingir algo naquela equipa devia... isso, faz falta à nossa selecção e por acrescento a toda a Nação!
Não vi a equipa de Paraty cometer erros grosseiros, pelo menos não foram eles a ditar a sorte das equipas - os ciganos. Gostava de ter acesso aos relatórios da arbitragem, qual o fundamento para expulsar o Caneira por exemplo, qual o critério para não marcar grandes penalidades ou demorar 120m para punir com o red Bosingwa que andava a pedi-las desde o início, porque fomos eliminados, porque se sentou Soares Franco ao lado do palhaço da Costa, porque... grunfff... Mais do que tudo irrita-me que este assunto me incomode assim tanto!

Os dias da Rádio (Taça II)

Ouvi grande parte do jogo pela rádio. Lá em casa a mãe baixava o som da tv e viamos os jogos ao som das vozes atropeladas do Gabriel e outros. Nunca percebi bem se era pela emoção certas eram as gargalhadas. Tipo ontem isto é só uma previsão significa que eu não tenho ainda certeza do que estou a dizer ou no final quando um dos comentadores desce ao relvado e durante 15m em repeat diz eu já não tenho idade para correr isto tudo e ao encontrar um dos sadinos em lágrimas dispara isso é uma amigdalite nos olhos?.

Rubinho Superstar (Taça I)

Ontem o jogo dos Vitórias repetiu a estrutura da outra meia final da Taça. Prolongamento, a equipa que marca primeiro na segunda parte do mesmo é a que perde na marca de grandes penalidades. Também, quem mais brilhou foram os guarda-redes. Baia, Ricardo e ontem Rubinho foram de excepção. Interessa-me este último, Rubinho, defendeu duas penalidades, sempre que um jogador do Guimarães se preparava para marcar este desejava-lhe Boa sorte e antes, ajoelhou-se na linha da área e pediu a Deus para que seja Justo : não é comum esta nobreza de carácter.

quinta-feira, 23 de março de 2006

As pessoas...

Por questões de espaço, onde tenho almoçado nos últimos dias, tenho ficado ao lado de pessoas que não conheço de parte alguma e, por muito que não queira, o facto de estar sozinho e de a proximidade ser tão grande é quase impossível não ouvir a conversa.
No outro dia, tinha ao meu lado um jovem casal, por sinal muito bimbinho. Ela, que chegou calada, mal se sentou, soltou-se a língua e nunca mais parou de falar. Desde os problemas das amigas, à depilação da própria, aos problemas com os pais, ao salto alto que numa noite qualquer saiu do sítio, ela saltava de conversa em conversa com uma velocidade que nunca tinha antes visto, enquanto o jovem de frente, que tanto podia ser o namorado, marido ou simples amigo estava tão calado, que desconfio com medo de interromper s Sra. e levar um estalo, um grito ou um qualquer insulto.
Bem, mas o engraçado da história não foi propriamente os temas da conversa, foi, antes sim, o facto de a Sra. ter o descaramento de dizer: “Sinto imenso que as pessoas não me ouvem! Acho que não tenho amigas com quem falar e com disponibilidade para me ouvir”. E o pior é que diz isto com um ar de pobre coitada. Claro, que não tens quem te ouça. Com esse tom de voz, que mais parece nos dar cabo dos ouvidos, onde temos de estar a quase dois km para não ficarmos surdos, com a velocidade com que mudas de assunto e com as tuas amáveis pausas, em que rapidamente lanças outra conversa, sem deixar que tem estar a falar contigo, não a ouvir-te, possa dizer o que quer que seja. AMIGA, TENS TU MUITA SORTE EM TER ALGUÉM COM QUEM ALMOÇAR, QUANTO MAIS AMIGAS COM QUE DESABAFAR E CONVERSAR SOBRE OS TEMAS DA VIDA. Realmente as pessoas não têm a mínima noção do que são e como são. Haja paciência…

O Combóio ou A Varanda que via passar mulheres

Era manhã cedo em Lisboa e o comboio apitava na estação vomitando nas plataformas mulheres apressadas e homens distraídos. Mas aquele não era um combóio qualquer porque era um comboio especial. De todos os combois que conheço era provavelmente o mais especial que havia. Vinha dos mesmos sitios que os outros e ia para os mesmos sitios que os outros. Mas era especial no meio de todos porque nenhum ambicionava nada enquanto aquele ambicionava tudo. E o seu maior sonho era ser um barco e navegar pelos mares.

Era manhã cedo em Lisboa e o comboio apitava na estação vomitando nas plataformas mulheres apressadas e homens distraídos. E no alto daquele prédio cor de tempos passados, uma varanda tímida espreitava as mulheres que passavam, apressadas, e sentia o íntimo desejo de ter nascido como elas, mutantes, velozes, portáteis!

E sempre que era manhã cedo em Lisboa e o combóio apitava na estação, varanda e combóio trocavam sonhos e desejos vivendo entre os dois a partilha de uma fantasia que os transformava respectivamente em barco e mulher à deriva pelo mar. E riam-se da pressa das mulheres e da distracção dos homens que não percebiam nada e que não aproveitavam os barcos e os mares para fugir ou para sonhar!
Desta rotina nasceu obviamente um amor enorme da varanda pelo combóio. E quando ele por alguma razão não vinha, a triste varanda perdia-se em divagações românticas e em ciúmes enlouquecidos, imaginando que o combóio era finalmente um barco e que alguma daquelas mulheres que ele transportava tinha descoberto o caminho directo para o seu coração... Aquele sofrimento era feroz e durava até à próxima manhã em que, cedo, o apito ecoava pela estação. Só os pássaros que por ali pousavam testemunhavam estes desvarios e por toda a cidade já se comentava a loucura da varanda que não percebia que era apenas uma varanda!
Os tempos foram passando, o combóio foi fazer outras paragens e deu por si a fazer a linha do Estoril, ao lado do rio, e acabou mesmo por se esquecer que era comboio para se convencer que era um grande e forte barco, porque só via água!
Quanto à varanda, essa foi enlouquecendo sozinha à medida que percebeu que nunca seria mulher. A útima vez que soube dela estava apaixonada por uma gaivota que ainda por cima só abusou da sua boa vontade. Hoje quando lá passo ainda olho para cima mas é raro a varanda reagir. Perdeu o juízo e agora vai deixando cair pedacinhos de si quando passa alguma mulher.
Queria confortá-la mas não sei. O meu forte nunca foram varandas...

Análise Racional ao fcp- Sporting

Arghh... grr gr rr auf auf auf !"%&(&!%#/()#)&$ ratleshnaklefussandfaqueiuole grunffff (suspiro)

Pode um desejo imenso

Pode um desejo imenso
arder no peito tanto
que à branda e a viva alma o fogo intenso
lhe gaste as nódoas do terreno manto,
e purifique em tanta alteza o espirito
com olhos imortais
que faz que leia mais do que vê escrito

Camões

Nunca mais

Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser.
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência.
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
Sophia

quarta-feira, 22 de março de 2006

fcp - SPORTING

PAINFUL

Mais Jorge Palma 2



Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar

Só por ter dois sóis
Só por hesitar
Fiz a cama na encruzilhada
E chamei casa a esse lugar
E anda sempre alguém por lá

Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por inventar
Só por destruir
Tenho as chaves do céu e do inferno
E deixo o tempo decidir
E anda sempre alguém por lá

Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
Eu sei que nenhuma vai ganhar

Mais Jorge Palma 2

Estrela do Mar

Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia, sózinho, ao relento
E ali longe do tempo, acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

"Sou a estrela do mar só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força Ser dono de mim..."

Não sei se era maior o desejo ou o espanto
Só sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são pouco ou nada para estrela do mar

"Estrela do mar Só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força Ser dono de mim..."

Mais Jorge Palma


A Gente Vai Continuar

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Valsa de um homem carente

E porque ontem foi o dia da poesia, aqui fica a minha última poesia preferida, feita pelo excelente Jorge Palma, que canta como ninguém.

Valsa dum homem carente

Se alguma vez te parecer

ouvir coisas sem sentido
não ligues, sou eu a dizer
que quero ficar contigo
e apenas obedeço
com as artes que conheço
ao princípio activo
que rege desde o começo
e mantém o mundo vivo

Se alguma vez me vires fazer

figuras teatrais
dignas dum palhaço pobre
sou eu a dançar a mais nobre
das danças nupciais
vê minhas plumas cardeai
sem todo o seu esplendor
sou eu, sou eu, nem mais
a suplicar o teu amor

É a dança mais pungente

mão atrás e outra à frente
valsa de um homem carente
mão atrás e outra à frente
valsa de um homem carente
Jorge Palma
in, "Norte".

terça-feira, 21 de março de 2006

Haiku

Hoje que se comemora o dia da poesia lembrei-me de algo anterior a esta, em outras latitudes, no Japão onde se praticava a arte do Haiku. Será algo que está para a poesia o que esta está para a prosa. É ainda mais depudorada, despida, concisa e daí vem a sua beleza, é uma forma de ver a realidade com a visão poética do sol nascente.

O velho tanque -
Uma rã mergulha,
barulho de água.


(Pessoalmente considero que para a apreciar em pleno deveria primeiro aprender a ler japonês. Muitas vezes sinto ficar a meio de alguma coisa...)

Este caminho
Ninguém já o percorre,
Salvo o crepúsculo.


Música Polar

Num cd de versões de músicas dos Kings of Convenience, a mais do que agradável surpresa foi descobrir que este album de 2001 traz os Royksopp em plena forma e revolução de Melody AM. Um dos melhores destes primeiros 6 anos de sec. XXI

E o Governo vai rindo

O Governo não podia estar em melhores lençóis quando a oposição à sua direita está em Congressos, Conselhos Nacionais, ou seja, em plena discussão interna.
O PSD esteve em Congresso, no último fim-de-semana, e pelo que por lá se passou pouco ou nada se retira e nunca nos iremos lembrar que existiu, temos as directas, mas caso não seja eu militante do PSD e esteja desempregado isso pouco ou nada me interessa.
No CDS a coisa não melhora, Ribeiro e Castro avança para Congresso Extraordinário em vez de avançar para o país.
Quando nem as oposições à sua direita se entendem, o Primeiro-Ministro, não tendo quem lhe pise os calos, lá vai indo e dizendo que tem feito alguma coisa por este país à beira mar plantado.
A quem esta situação também agrada é a Paulo Portas, que insiste em não morrer politicamente, podendo ganhar espaço, agora com as suas intervenções na SIC, tendo todo o espaço da Direita livre, com a inércia de Ribeiro e Castro, e o espaço ao Centro descongestionado pelo pequeno Marques Mendes.
Haverá hipótese mesmo que remota de Portas e Sócrates unirem esforços um dia destes?

O CDS

Maria José Nogueira Pinto tem feito declarações pouco amigas para o lider Ribeiro e Castro. É o que dá ser a única na direcção do CDS com legitimidade eleitoral, é a única dirigente que até hoje foi a votos e isso dá-lhe, pelo menos, uma legitimidade que Ribeiro e Castro não tem.
Avançará para lider? Parece-me que não...
Esperemos para ver que faz Paulo Portas e toda a sua bancada parlamentar.

segunda-feira, 20 de março de 2006

O erro de Ribeiro e Castro

O CDS esteve reunido este fim-de-semana em Conselho Nacional, em Leiria, tendo deliberado com 83 votos a favor, 12 abstenções e 54 votos contra, a realização de um Congresso Extraordinário para clarificar a liderança do partido. Diz Ribeiro e Castro “que se houver alternativa que se organize”.

Ribeiro e Castro não tem tido a vida muito facilitada. Chega a Presidente do partido quando não se esperava que assim fosse e os seus “amigos” de partido não o têm ajudado muito, tendo ainda, por cima, o fantasma, ou não, de Paulo Portas sempre a fazer das suas. Tem um Grupo Parlamentar que não esteve com ele no Congresso e que nada fará para o ajudar, com a agravante que é um líder que não tendo assento na Assembleia da República está de fora do palco por excelência da política política nacional. É deputado europeu, mas isso nem ajuda nem agrava, a sua visibilidade, não aumenta ou diminui com essa condição.
Mas tudo isto são condicionantes que Ribeiro e Castro já sabia que contaria.

O erro de Ribeiro e Castro está na convocação de um Congresso Extraordinário, com o objectivo de discutir a sua liderança. Assim sendo este Congresso terá desde já uma consequência, o partido vira-se para dentro, discutirár-se-à a si próprio, discutirar-se-à quem é quem no partido, quem tem mais poder, quem tem mais força, quem tem mais visibilidade, quem fala melhor. Tudo isto será discutido no Congresso Extraordinário. Agora falar para o país, sobre o país e discutir alternativas de poder ou estou muito enganado ou tudo isso passará ao lado do Congresso. E, mais uma vez, ficará o país a ver um partido a discutir sobre si e para si, correndo o CDS o risco de nada transmitir e só afastar.

Ribeiro e Castro deveria ter percebido uma coisa: não é ganhando o partido por dentro que acabam as criticas à sua liderança, veja-se o caso de Marques Mendes, não é ganhando nas estruturas do partido que ganha o partido. O partido conquista-se conquistando o país. Foi assim que o fez Manuel Monteiro e Paulo Portas. O princípio do partido será sempre este: ir atrás de um líder que tenha alguma coisa para oferecer, isto é, que tenha poder para distribuir. Só ganhando o país e conquistando o país, Ribeiro e Castro ganhará o partido, enquanto nada tiver para oferecer e dar, não contará com uma pacificação do partido.

O desafio de Ribeiro e Castro não é o de ser líder incondicional do CDS, o grande desafio de Ribeiro e Castro é falar para o país, ir ao país e conquistar eleitores. Essa sim é a sua batalha.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Sigur Rós dia 16 de Julho no Pavilhão Atlântico

E no entanto move-se...

Esta frase ficou célebre por levar à fogueira pela mão da Inquisição Galileu Galilei. "Eppur si muove" refere-se como é evidente ao movimento de rotação da terra em torno do astro rei, o que colocava não Deus mas o Sol como o centro do (nosso) universo. Mas, serviu também, séculos mais tarde e, ironia da história, para João Paulo II demonstrar o seu enorme e (talvez) pouco conhecido humor.

Conta a lenda que certo dia, já doente e com aquele andar extremamente vagaroso que o caracterizou nos últimos tempos de vida, quase tão lento quanto o movimento de rotação da terra, ao atravessar (não sei o nome) o espaço reservado aos cardeais em São Pedro, a caminho da sua cadeira, perante o olhar atónito de um dos cardeais, terá murmurado, "Eppur si muove".

Bonjour Tristesse

Com este filme pela primeira vez o genérico deixou de ser um desfile de substantivos e nomes,
um filme animado e a cores belíssimo aparecia em sua substituição para deslumbramento dos espectadores. Uma rosa em rotação sobre si mesma. Touché! Uma Rosa.
É um dos meus filmes, Jean Seberg, belíssima e num papel em fúria, às tantas diz, "gostava de ser eu muito mais nova ou muito mais velha!". Quem nunca se sentiu assim...

Inspiração Rapouliana

Tenho comigo uma barra de delicioso chocolate de leite.

O Homem é um animal político



Num momento em que a economia e os principais players parecem começar a entender-se com o método Socrático, quando o Prof. Cavaco Silva inicia o seu mandato presidencial com um objectivo bem definido, cooperação com o governo, com os olhos bem abertos e um objectivo único, acabarmos (cabe a todos) com a crise que teima em persistir, o fds que aí está à porta será uma óptima oportunidade para rolarem cabeças nos principais partidos do centro-direita. Marques Mendes e Ribeiro e Castro já demonstraram que não têm perfil para o cargo, por manifesta incompetência ou por falta de apoio, tanto faz, terá obrigatoriamente que haver mudanças, ou a rosa não murchará nunca...

quinta-feira, 16 de março de 2006

Crash para a sucata...

Fui ver finalmente o Crash em tuga Colisão. Importante estabelecer esta correspondência porque ela pode ser biunivoca face ao bastante superior Crash de Cronemberg. Resisti quando estreou ver o filme por dois factores: o nome e Sandra Bullock não indiciavam nada de bom.

É o filme assim tão bom? A meu ver Não.

O que é que a Baiana tem então? Tem um belíssimo naipe de actores e toca num ponto em carne viva nos states e um pouco por todo o mundo: a discriminação racial com um pé na emigração e na escravidão, ui... não serão coisas a mais? Óbvio.

O que é que a Baiana tem em excesso? Abusa no racismo levando-o à exaustão, às tantas já não tinha pachorra para tanta maldade e, que bonito, no final a redenção de alguns (dos maus) o calvário de outros (dos bons)! Não há esperança? O mundo pode tê-la perdido mas convém enaltecê-la.

Pretos com pretos, brancos com pretos, asiáticos com pretos e mexicanos e brancos e iranianos e o melting pot habitual... porque não um esquimó? Acho mesmo que devia estar lá um e os indios, esqueceram-se? E será que os judeus não se sentirão postos de parte também? O problema disto tudo são os actos de canibalismo, se uns têm excesso de protagonismo outros passam por ele de viés. Não se percebe. A personagem que quase morre no incendio do carro apaga-se, não choraminga sequer ao marido e ainda por cima é salva pelo bandido que praticamente a violou. A agente mix porto riquenha- salvadorenha serve apenas para o policia preto mandar uma bujarda racista. O iraniano é uma tortura. Ao mesmo tempo com breves traços salvam-se outros personagens, o mexicano que muda fechaduras e a preta do hospital estão bem conseguidos.

Mas faz isto um filme? Faz, um filme não mais do que mediano, colado ao fabuloso Magnólia, produzido com aspirações (pelos vistos conseguidas) a um grande filme e claro, com pinceladas que apontam directamente ao coração do público.

O meu sobrinho chamou-me a atenção para a enormidade de vezes que aparece a palavra Stop durante o filme. Bom olho puto! Bom golpe do realizador.

And the oscar goes to... melhor filme LOLÃO, montagem Vistosa mas como se viu com alguns personagens e situações, desastrosa! E o Argumento LOL ... compará-lo sequer com o maravilhoso Woody Allen. Subjectivo claro but não apontei nada que não esteja lá.

Só eu sei porque não fico em casa...

Sporting - FCP a disputar a meia-final da Taça de Portugal a 22 de Abril

Bom Dia, Boa Sorte

Forte Abraço para o P.

(Neptuno, Faial)

quarta-feira, 15 de março de 2006

Tomada de Santarém aos Mouros



Antes de 15 de Março de 1147 costumava-se dizer pelo reino de Portucale "abaixo do rio Tejo é tudo mouro", na altura andava o jovem Afonso a brincar às guerras entre idas ao psicólogo para resolver o complexo de édipo. Era Afonso um pespinete irreverente que nem o Papa lá longe no retiro do palácio de são Pedro escapou à sua fúria. Mas Afonso, ainda de cueiros, não tinha autorização para fazer tudo o que queria. Esta chegou com a primavera "Vai lá acabar de dar cabo dos sarracenos" diz Alexandre III.
E eis-nos chegados a 1147, Afonso tinha ouvido falar nas babes que se reuniam por alturas do magusto na golgã em redor dos miticos puro sangue árabes, entre dois copos de água pé iam ficando cada vez mais licenciosas e Afonso no auge da puberdade não se fez esperar, meses antes, em Março, bateu à porta, ninguém abriu, arrombou-a, deu cabo de tudo o que tinha à frente e consolidou a conquista do centro do território, passando daí para Lisboa e por aí fora até aos Algarves onde desejava ir a banhos sem que ninguém o maçasse...
p.s. I Não me canso de aconselhar o Bispo Negro de Alexandre Herculano, entre a lenda e o mito, um conto magnifico à volta da bravura de Afonso Henriques que desafia o todo poderoso papa Alexandre III
p.s. II Também a história de D. Afonso Henriques pelo prof. doutor Freitas do Amaral

Picasso en Minotaure, 1937


Mar da Manhã
Hei-de deter-me aqui.
Também eu contemplarei um pouco a natureza.
Do mar da manhã e do céu inube
azuis brilhantes, e margem amarela; tudo
belo e grandiosamente iluminado.
Hei-de deter-me aqui. E me enganar que os vejo
(em verdade os vi por um momento ao deter-me)
e não também aqui as minhas fantasias,
as minhas recordações, as imagens do prazer.

terça-feira, 14 de março de 2006

De volta e agora com o Miguel.

Até breve.

I know she loves the sunrise ...


Amigo tens 5 segundos para responder, queres vir ver Jack Johnson? Voei.

Pavilhão Atlântico à cunha. No Público notavam-se as belas cores do sol. As babes entre o histerismo e a loucura. Nós íamos sobrevivendo à tentação. Há um fenómeno estranho à volta de Jack Johnson. O mesmo que aconteceu com Ben Harper mas desta vez mais massificado e a gozar do estatuto quase olímpico do mestre.

Estive em todos os concertos de Ben Harper desde que se estreou em Portugal. Em especial há anos atrás quando paralizava o coliseu, em silêncio absoluto uma multidão escutava em extase o rei. Ao Jack sobrevivi, nunca lhe reconheci grande talento, afinal ele é bom em quê?

Jack Johnson é do best a criar um clima cool de tranquilidade e bem estar!

Parece a banda de bar que de repente se vê na ribalta sem nenhum deles carregar grande virtuosismo consigo. A voz de Jack Johnson é agradável, as letras facilmente assimiláveis, o piano, bateria e guitarras são embalados por uma sonoridade cool, a música sem grandes rasgos, enche um pavilhão, leva-o ao rubro e a certeza de repetir o feito... para a semana mesmo se ele assim o desejar. Telúrico.

O alinhamento sem grandes rasgos. Os que houve a grande maioria não reconheceu. Ouvimos no meio de uma canção os The Cars com I don't mind you coming here and wasting all my time e ainda os fab Led Zeppelin com Whole lotta love, mais tarde e mais de acordo com as gerações apareceram os acordes destrutivos dos White Stripes, Johnson em grande! De resto mais nada, as músicas curtas dos álbuns sem grandes exigências e sem que isso sequer incomodasse o público.

O encore é Jack à guitarra sozinho em palco e com o companheiro de route Matt Costa. Pulverizante. Nós saímos como se cada onda cada tubo ele amou e chamou-nos o melhor público da tour. Cantámos tudo, os isqueiros e telemóveis faziam do recinto Atlântico um enorme céu estrelado, bonito? Não! Lindo. Ele também achou. Vai haver mais... mas para a próxima, por favor, regressemos ao Coliseu de Lx!

Taste the Beat...

Serviço público ou não. Rádio Europa Lisboa em 90.4 FM . Essencialmente Jazz.

Massificação

Tarefa hercúlea a de comprar Jorge Luis Borges em Lx. Mas não é o único. A Bertrand do Cascaishopping não tinha disponível qualquer título de Marguerite Yourcenar. Desisti. Entrei na fnac e teimoso fui à procura, tretas para esgotado na editora, escondida atrás da japonesa Banana encontrei 3 ou 4 títulos, entre eles, regojizo, o que procurava.
Nestes tempos em que crescemos demasiado rápido as profissões perdem parte do seu caracter.
Eu quero que uma livraria me eduque na arte de ler. Quero ser surpreendido por uma obra, um autor excepcional e que não conheça. Quero encontrar outros que me façam sentir saudade e recuperar uma passagem. Não quero que sigam a tendência de Isso não vende pah encomenda mais do Gato Fedorento e daqueles esotéricos...

Ficções

Acabei de ler um conto notável de Borges
seu nome
O jardim dos caminhos que se bifurcam

Onde está o T?

Reinvindico a sua presença neste blog imediatamente!

segunda-feira, 13 de março de 2006

Manifesto

"...
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
..."
do Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)